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Farmacoterapia da Diabetes Mellitus Felina

ndice

1.IntroduoA Diabetes Mellitus (DM) um distrbio complexo que resulta da incapacidade das clulas do pncreas produzirem ou secretarem insulina, ou pela resistncia perifrica dos tecidos sua aco. A DM resulta de um metabolismo anormal da glicose e da gordura e, como consequncia, hiperglicemia prolongada, cetoacidose e outras alteraes na maioria dos sistemas orgnicos, que podem ser fatais se no tratados. No caso da espcie felina em mdia 1 em cada 200 gatos so afectados pela doena, variando este valor com o tipo de populao em estudo. De entre os factores que predispem doena no caso dos gatos, salientase a idade avanada (a partir dos 8 anos), o sexo e a obesidade, sendo este ltimo, um factor de risco. Para alm destes, ainda se pode referir a gentica e a actividade fsica do animal.

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Pode-se dividir esta endocrinopatia em trs tipos distintos segundo a classificao humana: Diabetes Mellitus Insulino-dependente (Tipo I), No Insulino-Dependente (Tipo II) e Diabetes Secundria (Tipo 3) e ainda a Diabetes transitria, especifica da espcie felina. Ao longo do trabalho sero abordadas as terapias mais utilizadas no tratamento da DM, salientado os seus princpios bsicos de aco.

2. Diabetes Mellitus (DM)Diabetes Mellitus uma das endocrinopatias mais comuns nos gatos, que resulta da incapacidade absoluta ou relativa na secreo de insulina, aco deficiente da insulina, ou ambas. Assim, h uma incapacidade dos tecidos em utilizar glicose srica, causando hiperglicemia que, quando prolongada, pode levar a uma cetoacidose e outras alteraes na maioria dos sistemas corpreos que podem ser fatais, se no tratados. 2.1 Papel da insulina A insulina uma hormona proteica que tem aco em diversas fases do metabolismo dos carbohidratos, gorduras e protenas. O efeito resultante da sua aco baixar as concentraes sanguneas da glicose, cidos gordos e

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aminocidos e promover a converso intracelular destes compostos nas suas formas de armazenamento, respectivamente, glicognio, triglicridos e protenas. Esta hormona produzida nas clulas beta das ilhotas de Langerhans do pncreas e armazenada em vesculas do Aparelho de Golgi numa forma inactiva (pr-insulina). Nessas clulas, existem receptores que detectam nveis de glicose plasmtica elevados (hiperglicmia) aps uma refeio. Desencadeiam-se uma srie de sinais intracelulares, dos quais o aumento dos nveis de clcio intracitoplasmtico o principal. Ocorre, assim, a exocitose dos grnulos, culminando com a aco hormonal da insulina nos tecidos alvo. Esta resposta tem duas fases: uma fase inicial rpida, que reflecte a libertao da hormona armazenada, e uma fase tardia, mais lenta, que reflecte a libertao contnua da hormona armazenada e a sntese recente. A estimulao da secreo de insulina pode ainda ser estimulada por: aminocidos, corpos cetnicos, cidos gordos, hormonas gastrointestinais, catecolaminas, potssio, corticotrofina, glucagon, glicocorticides, hormonas sexuais, hormonas da tiride, entre outros. A regulao da secreo da insulina tambm se d atravs do sistema nervoso autnomo, uma vez que os ilhus de Langerhans so abundantemente inervados, tanto pelo sistema nervoso simptico como pelo parassimptico. A adrenalina aumenta a glicemia ao inibir a libertao de insulina dos ilhus, atravs do seu efeito agonista 2 adrenrgico. Alm disso, promove a glicogenlise atravs dos receptores 2 no msculo estriado e no fgado. Quando a insulina secretada e entra em circulao, encontra-se quase totalmente na sua forma livre. O tempo de semi-vida plasmtico de apenas 6 minutos, em termos mdios, sendo metabolizada em 10 a 15 minutos. excepo da quantidade da insulina que se combina com receptores nas clulas alvo, a restante degradada pela enzima insulinase, principalmente no fgado, em menor grau nos rins e nos msculos, e apenas ligeiramente na maioria dos outros tecidos. Ao atingir as clulas alvo, a insulina liga-se ao seu receptor e d-se a internalizao deste complexo. Isto induz a activao rpida dos sistemas de 3

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transporte de glicose (GLUT) e aminocidos da membrana, o aumento da sntese proteica e a inibio da sua degradao, alm da inibio da liplise e da gluconeognese heptica. Como resultado dessas aces, ocorre queda gradual da glicemia (hipoglicemia) que estimula as clulas alfa-pancreticas a libertar glucagon que possui aco antagnica insulina. 2.2 Classificao Classificao de DM segundo o modelo humano: Podemos classificar a diabetes em DM tipo 1 ou insulino-dependente, Tipo 2 ou DM no insulino-dependente e Tipo 3 ou Diabetes secundria. Diabetes Mellitus do Tipo 1 Caracteriza-se por hipoinsulinemia devido destruio auto-imune das clulas pancreticas com perda progressiva, e eventualmente completa, da secreo de insulina. A perda da funo das clulas irreversvel, portanto o paciente obrigado a manter a terapia insulnica para o controle glicmico. Os processos imunomediados no causam diabetes no gato, da a sua baixa incidncia nesta espcie. Diabetes Mellitus do Tipo 2 O gato uma das poucas espcies que desenvolve uma forma de Diabetes Mellitus que clnica e histologicamente anloga Tipo 2 Humana, verificando-se que esta analogia ocorre em 80-95% dos casos. DM tipo 2 caracteriza-se por diminuio da secreo de insulina por parte das clulas beta, resistncia perifrica aco da insulina, nomeadamente, no fgado e msculos, e/ou acelerao da produo de glicose heptica. Os gatos diabticos tm, em mdia, seis vezes menos sensibilidade insulina do que gatos saudveis.

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Este o tipo de DM mais comum nos gatos, tendo como principais factores de predisposio a obesidade e a amiloidose. A patologia 1,5 a 2 vezes mais frequente nos machos castrados do que nas fmeas esterilizadas, podendo tambm ser induzida por factores genticos, geriatria e por uma baixa actividade fsica. Como as clulas mantm um pouco da sua funo secretora de insulina, a hiperglicemia tende a ser suave, a cetoacidose torna-se incomum e a necessidade de insulinoterapia torna-se varivel. Assim, inicialmente, a DM tipo 2 pode no requerer tratamento com a insulina, mas frequentemente, a necessidade de seu uso desenvolve-se posteriormente, devido ao facto desta evoluir para o Tipo 1.

Etiologia: Amiloidose A amiloidose causada por uma protena produzida pelas clulas pancreticas, amilina. Evidncias suportam a hiptese de que factores como obesidade crnica aumentam a sua produo. A secreo de amilina estimulada pelos mesmos factores que a insulina, portanto, quando existe uma elevao da glicemia pela resistncia perifrica insulina ou insuficiente secreo de insulina, h uma hipersecreo de amilina. Esta sendo antagnica da insulina, leva a um ciclo vicioso, com exausto das clulas pancreticas e diabetes subsequente.

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Farmacoterapia da Diabetes Mellitus Felina Figura 1: Cortes histolgicos do pncreas. A Ilhota de Langerhans normal. (200X). B Amiloidose grave na ilhota de um gato com DMDI. (100X). Fonte: http://vivisectionabsurd.org.uk/diabetes.html#3.

Obesidade Este factor altera a tolerncia tecidular glicose e a sensibilidade insulina, o que pode levar a diabetes irreversvel, se no tratada. Alm disso, a obesidade leva diminuio da expresso do transportador GLUT4. Os gatos machos tm maior propenso para ganhar peso, relativamente s fmeas, logo o risco de diabetes nos machos superior. Tambm associa-se esta prevalncia sexual ao facto de se utilizar progesterona exgena para amenizar efeitos comportamentais dos gatos.

Diabetes Mellitus do Tipo 3 Diabetes Mellitus secundria pode ser resultado de uma srie de doenas como: pancreatite, acromegalia, hiperadrenocorticismo (raro em gatos), e tambm pelo emprego de certos medicamentos como glicocorticides e acetato de megestrol, que so hormonas que antagonizam a aco da insulina e causam exausto da funo pancretica Possivelmente, h um mecanismo ps-receptor defeituoso, levando hiperglicemia e aumento da insulina srica. Diabetes transitria (remisso diabtica) Diabetes Transitria um fenmeno que ocorre exclusivamente na espcie felina. Os gatos diabticos podem entrar em remisso diabtica aps tratamento com insulina e/ou agentes hipoglicemiantes orais, perdendo de forma gradual ou sbita, a necessidade de insulina, desenvolvendo sintomas de hipoglicemia caso a administrao de insulina continue. Isto ocorre em aproximadamente 20% dos gatos. Gatos com Diabetes Transitria esto num estado subclnico de Diabetes, que comea a ser clnico quando o pncreas sensibilizado por frmacos ou doenas que causam antagonismo insulina. Ao contrrio dos gatos saudveis, gatos com Diabetes Transitria tm alteraes patolgicas nas ilhotas, o que 6

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prejudica a habilidade em compensar o antagonismo insulina e a intolerncia aos carbohidratos. A secreo de insulina pelas clulas suprimida reversivelmente, causando hiperglicemia. Nveis de glicemia persistentemente elevados, desenvolvem toxicidade glicose. Esta condio est relacionada com os receptores das clulas pancreticas sensveis glicose que sofrem down-regulation em casos de hiperglicemia e, desta forma, as clulas deixam de responder a nveis sricos de glicose, reduzindo a produo e secreo de insulina.

2.3 Fisiopatologia O resultado da ausncia ou inactividade da insulina a diminuio da utilizao de glicose, aminocidos e cidos gordos pelos tecidos, e uma acelerao da glicogenlise e gluconeognese hepticas. Estas alteraes metablicas levam ao aumento de glicose na circulao sangunea, qual se soma ainda a glicose proveniente da dieta, agravando a hiperglicemia. Como resultado, h uma maior utilizao das reservas de gordura, protenas e corpos cetnicos, em detrimento glicose, que est indisponvel. A liplise e protelise so estimuladas,