PROTGORAS - .4 "O homem © a medida de todas as coisas; daquelas que s£o por aquilo...

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    Dilogos de Plato

    PROTGORAS

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    O texto do Prtagoras aqui apresentado uma adaptao realizada por Olga Pombo a partir

    da verso portuguesa de Ana da Piedade Elias Pinheiro, publicada em Lisboa, pela editora

    Relgio d'Agua em 1999, na coleco Humanitas. Autores Gregos e Latinos.

    Neste trabalho colaboraram duas geraes de alunos (1999/2000 e 2000/2001) que realizaram

    o processamento do texto e se responsabilizaram pela criao dos links. A uniformizao dos

    aspectos tcnicos da responsabilidade do webmaster Ricardo Saraiva. A todos, os meus

    sinceros agradecimentos.

    http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htm

    Olga Pombo

    http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/agradecimentos.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/index.htm

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    "O homem a medida de todas as coisas; daquelas que so por aquilo que so e daquelas

    que no so por aquilo que no so." (Theaetetus por Plato seo 152a.)

    "Existem dois lados para cada pergunta." (Vidas dos Filsofos Eminentes, por Digenes

    Laertius, Livro IX, Sec. 51.)

    (Protgoras, Abdera, 480 a.C Siclia, 410 a.C)

    http://pt.wikiquote.org/wiki/Plat%C3%A3ohttp://pt.wikiquote.org/w/index.php?title=Di%C3%B3genes_Laertius&action=edit&redlink=1http://pt.wikiquote.org/w/index.php?title=Di%C3%B3genes_Laertius&action=edit&redlink=1http://pt.wikiquote.org/w/index.php?title=Di%C3%B3genes_Laertius&action=edit&redlink=1

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    Protgoras

    309 Comp. - De onde vens tu, Scrates? Est-se mesmo a ver que da caa ao

    jovem Alcibades1, no? A propsito, quando o vi, de manh, pareceu-me j um

    belo homem. E - isto aqui entre ns, Scrates - um homem feito, at com a barba j

    a despontar.

    309b Sc. - Ora, e ento? No s tu admirador de Homero, que diz que a

    idade mais bela a da primeira barba, justamente aquela que tem agora

    Alcibades?

    Comp. - verdade. E o que h de novo? Vens de junto dele, no vens? Que

    tal te tratou o nosso jovem?

    Sc. - Bem - pelo menos, pareceu-me. Sobretudo hoje, pois ps-se do meu

    lado e fez vrias intervenes em meu favor. Sim, venho agora mesmo de junto

    dele. Quero at contar-te algo notvel: apesar de ele estar presente, no lhe prestei

    grande ateno e, muitas vezes, at me esqueci dele.

    309c Comp. - Mas que coisa to extraordinria vos ter acontecido, a ti e a

    ele? No me digas que encontraste algum outro mais belo do que ele aqui na nossa

    cidade?

    Sc. - E muito mais!

    Comp. - O que dizes? Aqui da cidade ou estrangeiro?

    Sc. - Estrangeiro.

    Comp. - De onde?

    1 Filho de Clnias, nascido por volta de 450 a. C.. Para alm de bem nascido, extremamente rico e criado perto dos homens mais

    poderosos da altura, Alcibades era incrivelmente belo e inteligente. Muito jovem ainda, perdeu o pai e ficou sob tutela de

    Pricles, de quem era sobrinho. Famoso general, orador e homem de estado, recebeu as lies de Scrates que, mais tarde, lhe

    salvou a vida num combate. enquanto amigo e discpulo entusiasta de Scrates que aparece em dois dilogos de Plato: um que

    leva seu prprio nome e O Banquete. Sedutor, belo, elegante, rico, mas egosta, vaidoso, sedento de promoo pessoal e

    desprovido de escrpulos, foi o gnio mau de Atenas.

    http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/links/alcibiades.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/links/clinias.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/links/pericles.htmhttp://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/links/platao.htm

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    Sc. - De Abdera.

    Comp. - E pareceu-te ser assim to belo esse estrangeiro ao ponto de o

    achares mais belo que o filho de Clnias?

    Sc. - Como que quem mais sbio, meu caro, no h de parecer mais

    belo?

    Comp. - Vens ento de te encontrares com um sbio, Scrates?

    309d Sc. - E, certamente, o mais sbio de todos quantos por a h, se

    concordares que Protgoras o mais sbio de todos.

    Comp. - O que dizes? Protgoras est na cidade?

    Sc. - Est, e h trs dias.

    Comp. - E vens agora mesmo de conversar com ele?

    310 Sc. - Precisamente, de ter dito e ouvido muita coisa.

    Comp. - E, ento, no nos vai descrever esse encontro? Se no tens nada que

    te prenda, manda levantar a o escravo e senta-te aqui.

    Sc. - Pois, muito bem. E vou ficar-vos grato se me escutarem.

    Comp. - E ns a ti, se contares.

    Sc. - Bem, assim ser um agradecimento mtuo.

    310b Sc. - Escutem, ento: Esta noite, ainda antes do amanhecer,

    Hipcrates, filho de Apolodoro e irmo de Fson, bateram com o basto na minha

    porta, com toda a fora e, quando lha abriram, precipitou-se imediatamente para o

    interior, a gritar, com voz forte:

    - Scrates, j acordaste ou ainda dormes?

    E eu, reconhecendo-lhe a voz, exclamei:

    - Hipcrates! No me vens trazer nenhuma m notcia, pois no?

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    - No - respondeu ele. - Nada seno boas notcias.

    - Diz l, ento - repliquei eu. - O que h? A que propsito vieste c a esta

    hora?

    - Chegou Protgoras! - respondeu ele, de p junto de mim. - antes de ontem.

    - S agora soubeste?

    310c - Sim, pelos deuses, s noitinha. E, ao mesmo tempo, tacteando o

    leito, sentou-se aos meus ps e disse: - noitinha, j bastante tarde, quando voltei

    de noe, pois, v l bem, o meu escravo, o Stiro, tinha-me fugido e eu estava

    mesmo para te avisar que ia procur-lo, mas esqueci-me, por causa de qualquer

    outra coisa. Quando voltei, tnhamos acabado de jantar e estvamos para nos irmos

    deitar, quando o meu irmo me disse que Protgoras tinha chegado. Estive para vir

    logo ter contigo, mas depois, pareceu-me que j era demasiado tarde. Porm, assim

    que o sono em que cara, por causa da fadiga, me deixou, levantei-me e corri para

    c, sem demora.

    310d Eu, que lhe conheo a energia e a paixo, perguntei:

    - O que tens tu com isso? Por acaso te ofendeu, Protgoras?

    - Sim, pelos deuses - respondeu ele, com um sorriso - porque s ele sbio e

    no me faz s-lo a mim.

    - Mas, por Zeus - disse-lhe eu - se lhe deres dinheiro e o persuadires, ele h

    de fazer-te sbio tambm.

    310e - Zeus e deuses! Se, na verdade, fosse assim! No pouparia nem o

    que meu nem o dos meus amigos. Mas, mesmo por essa razo que venho agora

    ter contigo, para lhe falares de mim. Porque eu no s sou muito novo como ainda

    nunca vi nem ouvi Protgoras, pois, da ltima vez que ele c esteve, eu ainda era

    uma criana. Mas todos o aplaudem, Scrates, e dizem que a falar o mais hbil

    dos homens. Porque no vamos j para l, para o apanharmos em casa?

    311 - Pelo que ouvi dizer, est hospedado em casa de Clias, filho de

    Hipnico. Vamos l!

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    - No vamos ainda, meu amigo, que muito cedo. Vamos antes para o ptio

    e faamos tempo a dar umas voltas, enquanto no nasce o dia. Logo a seguir,

    samos. Protgoras passa a maior parte do tempo em casa, de modo que no te

    preocupes. Quer-me bem parecer que o encontraremos l.

    311b Levantamo-nos, ento, e fomos dar uma volta pelo ptio. Eu resolvi

    experimentar Hipcrates e p-lo prova, fazendo-lhe algumas perguntas:

    - Diz-me uma coisa, Hipcrates, ests disposto a procurar Protgoras e a

    oferecer-lhe o teu dinheiro como salrio para ele se ocupar de ti. Mas, porque que

    o procuras e para te tornares o qu? Se, por hiptese, tivesses inteno de procurar

    o teu homnimo, Hipcrates de Cs, o de Asclepades, para lhe ofereceres o teu

    dinheiro como salrio por se ocupar de ti, e se algum te perguntasse Diz-me,

    Hipcrates, ests disposto a pagar um salrio a Hipcrates por ele ser o qu?, que

    responderias?

    311c - Responderia que por ele ser mdico.

    - E para te tornares o qu?

    - Para me tornar mdico.

    - E se tencionasses procurar Policleto, de Argos, e Fdias, de Atenas, para

    lhe pagares um salrio para eles se ocuparem de ti, se algum te perguntasse

    Pagas esse dinheiro a Policleto e a Fdias porque achas que eles so o qu?, o

    qu responderias?

    - Res