O que é Filosofia

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Filosofia Filosofia (do grego Φιλοσοφία, literalmente («amigo da sabedoria» ou «amor pelo saber» [1][2] ) é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimentoverdade, aos valores morais e estéticos, à mente linguagem. [3] Ao abordar esses problemas, a filosofia se distingue da mitologia e da religião por sua ên- fase em argumentos racionais; por outro lado, diferencia- se das pesquisas científicas por geralmente não recorrer a procedimentos empíricos em suas investigações. En- tre seus métodos, estão a argumentação lógica,a análise conceptual, as experiências de pensamento e outros mé- todos a priori. A Filosofia é o saber mais abrangente. A partir dela, são fundamentados e desenvolvidos os pro- jetos educacionais e as pesquisas, bem como embasa-se, inclusive, a consultoria a instituições científicas, artísticas e culturais. A filosofia ocidental surgiu na Grécia antiga no século VI a.C. A partir de então, uma sucessão de pensadores ori- ginais – como Tales, Xenófanes, Pitágoras, Heráclito e Protágoras – empenhou-se em responder, racionalmente, questões acerca da realidade última das coisas, das ori- gens e características do verdadeiro conhecimento, da ob- jetividade dos valores morais, da existência e natureza dos deuses (ou de Deus). Muitas das questões levantadas por esses antigos pensadores são, ainda, temas importan- tes da filosofia contemporânea. [4] Durante as Idades Antiga e Medieval, a filosofia compre- endia praticamente todas as áreas de investigação teórica. Em seu escopo figuravam desde disciplinas altamente abstratas – em que se estudavam o “ser enquanto ser” e os princípios gerais do raciocínio – até pesquisas sobre fenômenos mais específicos – como a queda dos corpos e a classificação dos seres vivos. Especialmente a partir do século XVII, vários ramos do conhecimento começam a se desvencilhar da filosofia e a se constituir em ciências independentes com técnicas e métodos próprios (priori- zando, sobretudo, a observação e a experimentação). [5] Apesar disso, a filosofia atual ainda pode ser vista como uma disciplina que trata de questões gerais e abstratas que sejam relevantes para a fundamentação das demais ciên- cias particulares ou demais atividades culturais. A prin- cípio, tais questões não poderiam ser convenientemente tratadas por métodos científicos. [6] Por razões de conveniência e especialização, os pro- blemas filosóficos são agrupados em subáreas temáti- cas: entre elas as mais tradicionais são a metafísica,a epistemologia,a lógica,a ética,a estética ea filosofia po- lítica. 1 História e evolução A filosofia ocidental surgiu na Grécia antiga no século VI a.C. A partir de então, uma sucessão de pensadores ori- ginais – como Tales, Xenófanes, Pitágoras, Heráclito e Protágoras – empenhou-se em responder, racionalmente, questões acerca da realidade última das coisas, das ori- gens e características do verdadeiro conhecimento, da ob- jetividade dos valores morais, da existência e natureza dos deuses. Muitas das questões levantadas por esses an- tigos pensadores são ainda temas importantes da filosofia contemporânea. [7] Durante as Idades Antiga e Medieval, a filosofia compreendia praticamente todas as áreas de in- vestigação teórica. Em seu escopo figuravam desde disci- plinas altamente abstratas – em que se estudavam o “ser enquanto ser” e os princípios gerais do raciocínio – até pesquisas sobre fenômenos mais específicos – como a queda dos corpos ea classificação dos seres vivos. Es- pecialmente a partir do século XVII, vários ramos do co- nhecimento começam a se desvencilhar da filosofia e a se constituir em ciências independentes com técnicas e mé- todos próprios (priorizando, sobretudo, a observação e a experimentação). [8] Apesar disso, a filosofia atual ainda pode ser vista como uma disciplina que trata de questões gerais e abstratas que sejam relevantes para a fundamen- tação das demais ciências particulares ou demais ativida- des culturais. A princípio, tais questões não poderiam ser convenientemente tratadas por métodos científicos. [9] Por razões de conveniência e especialização, os pro- blemas filosóficos são agrupados em subáreas temáti- cas: entre elas as mais tradicionais são a metafísica,a epistemologia,a lógica,a ética,a estética ea filosofia po- lítica. As atividades a que nos dedicamos cotidianamente pres- supõem a aceitação de diversas crenças e valores de que nem sempre estamos cientes. Acreditamos habitar um mundo constituído de diferentes objetos, de diversos ta- manhos e cores. Acreditamos que esse mundo organiza- se num espaço tridimensional e que o tempo segue a sua marcha inexorável numa única direção. Acreditamos que as pessoas ao redor são em tudo semelhantes a nós, vêem as mesmas coisas, têm os mesmos sentimentos e sensa- ções e as mesmas necessidades. Buscamos interagir com outras pessoas, e encontrar alguém com quem compar- tilhar a vida e, talvez, constituir família, pois tudo nos leva a crer que essa é uma das condições para a nossa felicidade. Periodicamente reclamamos de abusos na te- levisão, em propagandas e noticiários, na crença de que há certos valores que estão sendo transgredidos por puro 1
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    09-Nov-2015
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  • Filosoa

    Filosoa (do grego , literalmente (amigoda sabedoria ou amor pelo saber[1][2] ) o estudode problemas fundamentais relacionados existncia, aoconhecimento, verdade, aos valores morais e estticos, mente e linguagem.[3] Ao abordar esses problemas, alosoa se distingue da mitologia e da religio por sua n-fase em argumentos racionais; por outro lado, diferencia-se das pesquisas cientcas por geralmente no recorrera procedimentos empricos em suas investigaes. En-tre seus mtodos, esto a argumentao lgica, a anliseconceptual, as experincias de pensamento e outros m-todos a priori. A Filosoa o saber mais abrangente. Apartir dela, so fundamentados e desenvolvidos os pro-jetos educacionais e as pesquisas, bem como embasa-se,inclusive, a consultoria a instituies cientcas, artsticase culturais.A losoa ocidental surgiu na Grcia antiga no sculo VIa.C. A partir de ento, uma sucesso de pensadores ori-ginais como Tales, Xenfanes, Pitgoras, Herclito eProtgoras empenhou-se em responder, racionalmente,questes acerca da realidade ltima das coisas, das ori-gens e caractersticas do verdadeiro conhecimento, da ob-jetividade dos valores morais, da existncia e naturezados deuses (ou de Deus). Muitas das questes levantadaspor esses antigos pensadores so, ainda, temas importan-tes da losoa contempornea.[4]

    Durante as Idades Antiga e Medieval, a losoa compre-endia praticamente todas as reas de investigao terica.Em seu escopo guravam desde disciplinas altamenteabstratas em que se estudavam o ser enquanto ser eos princpios gerais do raciocnio at pesquisas sobrefenmenos mais especcos como a queda dos corpos ea classicao dos seres vivos. Especialmente a partir dosculo XVII, vrios ramos do conhecimento comeam ase desvencilhar da losoa e a se constituir em cinciasindependentes com tcnicas e mtodos prprios (priori-zando, sobretudo, a observao e a experimentao).[5]Apesar disso, a losoa atual ainda pode ser vista comouma disciplina que trata de questes gerais e abstratas quesejam relevantes para a fundamentao das demais cin-cias particulares ou demais atividades culturais. A prin-cpio, tais questes no poderiam ser convenientementetratadas por mtodos cientcos.[6]

    Por razes de convenincia e especializao, os pro-blemas loscos so agrupados em subreas temti-cas: entre elas as mais tradicionais so a metafsica, aepistemologia, a lgica, a tica, a esttica e a losoa po-ltica.

    1 Histria e evoluo

    A losoa ocidental surgiu na Grcia antiga no sculo VIa.C. A partir de ento, uma sucesso de pensadores ori-ginais como Tales, Xenfanes, Pitgoras, Herclito eProtgoras empenhou-se em responder, racionalmente,questes acerca da realidade ltima das coisas, das ori-gens e caractersticas do verdadeiro conhecimento, da ob-jetividade dos valores morais, da existncia e naturezados deuses. Muitas das questes levantadas por esses an-tigos pensadores so ainda temas importantes da losoacontempornea.[7] Durante as Idades Antiga e Medieval,a losoa compreendia praticamente todas as reas de in-vestigao terica. Em seu escopo guravam desde disci-plinas altamente abstratas em que se estudavam o serenquanto ser e os princpios gerais do raciocnio atpesquisas sobre fenmenos mais especcos como aqueda dos corpos e a classicao dos seres vivos. Es-pecialmente a partir do sculo XVII, vrios ramos do co-nhecimento comeam a se desvencilhar da losoa e a seconstituir em cincias independentes com tcnicas e m-todos prprios (priorizando, sobretudo, a observao e aexperimentao).[8] Apesar disso, a losoa atual aindapode ser vista como uma disciplina que trata de questesgerais e abstratas que sejam relevantes para a fundamen-tao das demais cincias particulares ou demais ativida-des culturais. A princpio, tais questes no poderiam serconvenientemente tratadas por mtodos cientcos.[9]

    Por razes de convenincia e especializao, os pro-blemas loscos so agrupados em subreas temti-cas: entre elas as mais tradicionais so a metafsica, aepistemologia, a lgica, a tica, a esttica e a losoa po-ltica.As atividades a que nos dedicamos cotidianamente pres-supem a aceitao de diversas crenas e valores de quenem sempre estamos cientes. Acreditamos habitar ummundo constitudo de diferentes objetos, de diversos ta-manhos e cores. Acreditamos que esse mundo organiza-se num espao tridimensional e que o tempo segue a suamarcha inexorvel numa nica direo. Acreditamos queas pessoas ao redor so em tudo semelhantes a ns, vemas mesmas coisas, tm os mesmos sentimentos e sensa-es e as mesmas necessidades. Buscamos interagir comoutras pessoas, e encontrar algum com quem compar-tilhar a vida e, talvez, constituir famlia, pois tudo nosleva a crer que essa uma das condies para a nossafelicidade. Periodicamente reclamamos de abusos na te-leviso, em propagandas e noticirios, na crena de queh certos valores que esto sendo transgredidos por puro

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  • 2 1 HISTRIA E EVOLUO

    Plato, 427-347 a.C.

    sensacionalismo. Em todos esses casos, nossas crenas evalores determinam nossas aes e atitudes sem que elessequer nos passem pela cabea. Mas eles esto l, pro-fundamente arraigados e extremamente inuentes. En-quanto estamos ocupados em trabalhar, pagar as contasou divertir-nos, no vemos necessidade de questionar es-sas crenas e valores. Mas nada impede que, em determi-nado momento, faamos uma reexo profunda sobre osignicado desses valores e crenas fundamentais e sobrea sua consistncia. nesse estado de esprito que for-mularemos perguntas como: O que a realidade em simesma?, O que h por trs daquilo que vejo, ouo etoco?, O que o espao? E o que o tempo?, Se oque aconteceu h um centsimo de segundo j passado,ser que o presente no uma co?, Ser que tudo oque acontece sempre antecedido por causas?, O que a felicidade? E como alcan-la?, O que o certo eo errado?, O que a liberdade?.Essas perguntas so tipicamente loscas e reetemalgo que poderamos chamar de atitude losca peranteo mundo e perante ns mesmos. a atitude de nos voltar-mos para as nossas crenas mais fundamentais e esforar-nos por compreend-las, avali-las e justic-las. Muitasdelas parecem ser to bvias que ningum em s consci-ncia tentaria sinceramente question-las. Poucos colo-cariam em questo mximas como Matar errado, Ademocracia melhor que a ditadura, A liberdade de ex-presso e de opinio um valor indispensvel. Mas, a

    Paul Gauguin, De onde viemos? Quem somos? Para onde va-mos? (1897/98).

    atitude losca no reconhece domnios fechados in-vestigao. Mesmo em relao a crenas e valores queconsideramos absolutamente inegociveis, a proposta dalosoa a de submet-los ao exame crtico, racional eargumentativo, de modo que a nossa adeso seja restabe-lecida em novo patamar. Em outras palavras, a propostalosca a de que, se para sustentarmos certas cren-as e valores, que sejam sustentados de maneira crtica ereetida.Muitos autores identicam essa atitude losca comuma espcie de habilidade ou capacidade de se admirarcom as coisas, por mais prosaicas que sejam. Na base dalosoa, estaria a curiosidade tpica das crianas ou dosque no se contentam com respostas prontas. Plato, umdos pais fundadores da losoa ocidental, armava que osentimento de assombro ou admirao est na origem dopensamento losco:

    Na mesma linha, armava Aristteles:

    Embora essa capacidade de admirar-se com a realidadepossa estar na origem do pensamento losco, isso nosignica que tal admirao provoque apenas e to so-mente losoa. O sentimento religioso, por exemplo,pode igualmente surgir dessa disposio: a aparente per-feio da natureza, as sincronias dos processos naturais,a complexidade dos seres vivos podem causar profundaimpresso no indivduo e lev-lo a indagar se o respon-svel por tudo isso no seria uma Inteligncia Superior.Uma paisagem que a todos parecesse comum e sem atra-tivos poderia atrair de modo singular o olho do artistae faz-lo criar uma obra de arte que revelasse nuancesque escaparam ao olhar comum. Analogamente, emboraa queda de objetos seja um fenmeno corriqueiro, se ne-nhum cientista tivesse considerado esse fenmeno surpre-endente ou digno de nota, no saberamos nada a respeitoda gravidade. Esses exemplos sugerem que, alm de certaatitude em relao nossa experincia da realidade, hum modo de interpelar a realidade e nossas crenas a seurespeito que diferenciariam essa investigao da religio,da arte e da cincia.Ao contrrio da religio, que se estabelece entre outrascoisas sobre textos sagrados e sobre a tradio, a losoa

  • 2.2 Conceito de losoa 3

    recorre apenas razo para estabelecer certas teses e re-futar outras. Como j mencionado acima a losoa noadmite dogmas. No h, em princpio, crenas que noestejam sujeitas ao exame crtico da losoa. Disso nodecorre um conito irreconcilivel entre a losoa e a re-ligio. H lsofos que argumentam em favor de teses ca-ras s religies, como, por exemplo, a existncia de Deuse a imortalidade da alma. Mas um argumento propria-mente losco em favor da imortalidade da alma apre-sentar como garantias apenas as suas prprias razes: eleapelar somente ao assentimento racional, jamais f ou obedincia.[12]

    Os artistas assemelham-se aos lsofos em sua tentativade desbanalizar a nossa experincia do mundo e alcanarassim uma compreenso mais profunda de ns mesmose das coisas que nos cercam. Mas a forma em que apre-sentam seus resultados bastante diferente. Os artistasrecorrem percepo direta e intuio;[12] enquanto alosoa tipicamente apresenta seus resultados de maneiraargumentativa, lgica e abstrata.Mas, se essa insistncia na razo diferencia a losoa dareligio e da arte, o que a diferenciaria das cincias, umavez que tambm essas privilegiam uma abordagem met-dica e racional dos fenmenos? A diferena que os pro-blemas tipicamente loscos no podem ser resolvidospor observao e experimentao.[12] No h experimen-tos e observaes empricas que possam decidir qual seriaa noo de direitos humanos mais adequada do pontode vista da razo. O mesmo vale para outras noes,tais como liberdade, justia ou falta moral. No hcomo resolver em laboratrio questes como: quandotem incio o ser humano?, os animais podem ser sujei-tos de direitos?, em que medida o Estado pode interfe-rir na vida dos cidados?, As entidades microscpicaspostuladas pelas cincias tm o mesmo grau de realidadeque os objetos da nossa experincia cotidiana (pessoas,animais, mesas, cadeiras, etc.)?. Em resumo, quandoum tpico defendido ou criticado com argumentos raci-onais, e essa defesa ou ataque no pode contar com obser-vaes e experimentos para a sua soluo, estamos diantede um debate losco.

    2 Denio de losoa

    2.1 Etimologia

    A palavra losoa (do grego) uma composio deduas palavras: philos () e sophia (). A pri-meira uma derivao de philia () que signicaamizade, amor fraterno e respeito entre os iguais; a se-gunda signica sabedoria ou simplesmente saber. Filo-soa signica, portanto, amizade pela sabedoria, amor erespeito pelo saber; e o lsofo, por sua vez, seria aqueleque ama e busca a sabedoria, tem amizade pelo saber,deseja saber.[13]

    Filsofo em Meditao, de Rembrandt (detalhe).

    A tradio atribui ao lsofo Pitgoras de Samos (queviveu no sculo V a.C.) a criao da palavra. Conformeessa tradio, Pitgoras teria criado o termo para modes-tamente ressaltar que a sabedoria plena e perfeita seriaatributo apenas dos deuses; os homens, no entanto, pode-riam vener-la e am-la na qualidade de lsofos.[13]

    A palavra philosopha no simplesmente uma inven-o moderna a partir de termos gregos,[14] mas, sim, umemprstimo tomado da prpria lngua grega. Os termos (philosophos) e (philosophein)j teriam sido empregados por alguns pr-socrticos[15](Herclito, Pitgoras e Grgias) e pelos historiadoresHerdoto e Tucdides. Em Scrates e Plato, acentu-ada a oposio entre e , em que o l-timo termo exprime certa modstia e certo ceticismo emrelao ao conhecimento humano.

    2.2 Conceito de losoaPara os eruditos o conceito de losoa sofreu, no trans-correr da histria, vrias alteraes e restries em suaabrangncia. As concepes do que seja a losoa equais so os seus objetos de estudo tambm se alteramconforme a escola ou movimento losco. Essa varie-dade presente na histria da losoa e nas escolas e cor-rentes loscas torna praticamente impossvel elaboraruma denio universalmente vlida de losoa. Denira losoa realizar uma tarefa metalosca. Em outraspalavras, fazer uma losoa da losoa. O socilogoe lsofo alemo Georg Simmel ressaltou esse ponto aodizer que um dos primeiros problemas da losoa ode investigar e estabelecer a sua prpria natureza. Tal-vez a losoa seja a nica disciplina que se volte parasi mesma dessa maneira. O objeto da fsica no , cer-tamente, a prpria cincia da fsica, mas os fenmenospticos e eltricos, entre outros. A lologia ocupa-se deregistros textuais antigos e da evoluo das lnguas, masno se ocupa de si mesma. A losoa, no entanto, move-se neste curioso crculo: ela determina os pressupostos de

  • 4 2 DEFINIO DE FILOSOFIA

    seu mtodo de pensar e os seus propsitos atravs de seusprprios mtodos de pensar e propsitos. No h comoapreender o conceito de losoa fora da losoa; pois so-mente a losoa pode determinar o que a losoa.[16]

    Plato e Aristteles concordam em caracterizar a losoacomo uma atividade racional estimulada pelo assombroou admirao. Mas, para Plato, o assombro provocadopela instabilidade e contradies dos seres que percebe-mos pelos sentidos. A losoa, no quadro platnico, se-ria a tentativa de superar esse mundo de coisas efmerase mutveis e apreender racionalmente a realidade ltima,composta por formas eternas e imutveis que, segundoPlato, s podem ser captadas pela razo. Para Arist-teles, ao contrrio, no h separao entre, de um lado,ummundo apreendido pelos sentidos e, de outro lado, ummundo exclusivamente captado pela razo. A losoa se-ria uma investigao das causas e princpios fundamen-tais de uma nica e mesma realidade. O lsofo, segundoAristteles, conhece, na medida do possvel, todas ascoisas, embora no possua a cincia de cada uma delaspor si.[17] A losoa almejaria o conhecimento univer-sal, no no sentido de um acmulo enciclopdico de to-dos os fatos e processos que se possam investigar, mas nosentido de uma compreenso dos princpios mais funda-mentais, dos quais dependeriam os objetos particulares aque se dedicam as demais cincias, artes e ofcios. Aris-tteles considera que a losoa, como cincia das causase princpios primordiais, acabaria por identicar-se coma teologia, pois Deus seria o princpio dos princpios.[18]

    As denies de losoa elaboradas depois de Plato eAristteles separaram a losoa em duas partes: uma -losoa terica e uma losoa prtica. Como reexo dabusca por salvao ou redeno pessoal, a losoa pr-tica foi gradativamente se tornando um sucedneo da freligiosa e acabou por ganhar precedncia em relao parte terica da losoa. A losoa passa a ser con-cebida como uma arte de viver, que forneceria aos ho-mens regras e prescries sobre como agir e como seportar diante das inconstncias do mundo. Essa con-cepo muito clara em diversas correntes da loso-a helenstica, como, por exemplo, no estoicismo e noneoplatonismo.[18]

    As denies de losoa formuladas na Antiguidade per-sistiram na poca de disseminao e consolidao docristianismo, mas isso no impediu que as concepescrists exercessem inuncia e moldassem novas manei-ras de se entender a losoa. As denies de loso-a elaboradas durante a Idade Mdia foram coordenadasaos servios que o pensamento losco poderia prestar compreenso e sistematizao da f religiosa; e, dessemodo, a losoa passa a ser concebida como serva dateologia (ancilla theologiae).[18] Segundo So Toms deAquino, por exemplo, a losoa pode auxiliar a teologiaem trs frentes: (1) ela pode demonstrar verdades que af j toma como estabelecidas, tais como a existncia deDeus e a imortalidade da alma; (2) pode esclarecer certasverdades da f ao traar analogias com as verdades natu-

    rais; e (3) pode ser empregada para refutar ideias que seoponham doutrina sagrada.[19]

    Os medievais tambm mantiveram a acepo de losoacomo saber prtico, como uma busca de normas ou reco-mendaes para se alcanar a plenitude da vida. SantoIsidoro de Sevilha, ainda no sculo VII, denia a lo-soa como o conhecimento das coisas humanas e di-vinas combinado com uma busca pela vida moralmenteboa[20]

    Frontispcio da Instauratio Magna, de Francis Bacon, 1620. Naparte inferior est escrito: Multi pertransibunt et augebitur sci-entia (Muitos passaro, e o conhecimento aumentar). As colu-nas representam as limitaes da losoa antiga e medieval.

    Tanto na Idade Mdia como em qualquer outra pocada histria ocidental, a compreenso do que a loso-a reete uma preocupao com questes essenciais paraa vida humana em seus mltiplos aspectos. As concep-es de losoa do Renascimento e da Idade Modernano so excees. Tambm a as noes do que sejaa losoa sintetizam as tentativas de oferecer respostassubstantivas aos problemas mais inquietantes da poca.O advento da era moderna fez ruir as prprias bases dasabedoria tradicional; e imps aos intelectuais a tarefade encontrar novas formas de conhecimento que pudes-sem restabelecer a conana no intelecto e na razo. ParaFrancis Bacon - um dos primeiros lsofos modernos - alosoa no deveria se contentar com uma atitude me-ramente contemplativa, como queriam os antigos e me-

  • 5dievais; ao contrrio, deveria buscar o conhecimento dasessncias das coisas a m de obter o controle sobre osfenmenos naturais e, portanto, submeter a natureza aosdesgnios humanos.[21] Para Descartes, a losoa, na qua-lidade de metafsica, a investigao das causas primei-ras, dos princpios fundamentais. Esses princpios devemser claros e evidentes, e devem formar uma base seguraa partir da qual se possam derivar as outras formas deconhecimento. nesse sentido, entendendo-se a loso-a como o conjunto de todos os saberes e a metafsicacomo a investigao das primeiras causas, que se deve lera famosa metfora de Descartes: Assim, a Filosoa uma rvore, cujas razes so a Metafsica, o tronco a F-sica, e os ramos que saem do tronco so todas as outrascincias.[22]

    Aps Descartes, a losoa assume uma postura crticaem relao a suas prprias aspiraes e contedos. Osempiristas britnicos, inuenciados pelas novas aquisi-es da cincia moderna, dedicaram-se a situar a investi-gao losca nos limites do que pode ser avaliado pelaexperincia. Segundo a orientao empirista, argumen-tos tradicionais da losoa, como as demonstraes daexistncia de Deus, da imortalidade da alma e de essn-cias imutveis seriam invlidos, uma vez que as ideiascom que operam no so adequadamente derivadas daexperincia. De maneira anloga, Kant, ao elaborar suadoutrina da losoa transcendental, rejeita a possibili-dade de tratamento cientco de muitos dos problemasda losoa tradicional, uma vez que a adequada soluodeles demandaria recursos que ultrapassam as capacida-des do intelecto humano.O empirismo britnico e o idealismo de Kant acentuamuma caracterstica frequentemente destacada na losoa:a de ser um pensar sobre o pensamento[23] ou um co-nhecer o conhecimento.[24] Essa concepo reexiva dalosoa, do pensamento que se volta para si mesmo, inu-enciar vrios autores e escolas loscas, tanto do sculoXIX como do sculo XX. A fenomenologia, por exemplo,considerar a losoa como um empreendimento emi-nentemente reexivo. Segundo Edmund Husserl - o fun-dador da fenomenologia - a losoa uma cincia rigo-rosa dos fenmenos tal como nos aparecem, ou seja, talcomo a nossa conscincia deles. Para descrev-los, olsofo deve pr entre parnteses todas as suas pressu-posies e preconceitos (at mesmo a certeza de que osobjetos existem) e restringir-se apenas aos contedos daconscincia.Com a virada lingustica do incio do sculo XX, mui-tos lsofos passam a considerar a losoa como umaanlise de conceitos. Para Wittgenstein, os problemas -loscos tradicionais so todos resultantes de confuseslingusticas; e a tarefa do lsofo seria a de esclarecer omodo como os conceitos so empregados a m de explici-tar tais confuses. Numa abordagem mais positiva sobrea atividade losca, Strawson considera que a losoa anloga gramtica: assim como os estudiosos da gra-mtica explicitam as regras que os falantes inconsciente-

    mente empregam, a losoa explicitaria conceitos-chaveque, na construo de nossas concepes e argumentos,adotamos sem ter plena conscincia de suas implicaese relaes.[25]

    A lista de concepes da losoa propostas ao longo desua histria pode ser estendida indenidamente. Sua va-riedade to grande que dicilmente se pode encontrarum elemento que perpasse todas as concepes em to-das as pocas. Mas no se pode esquecer que as antigasconcepes de losoa tornaram-se algo obsoleto frenteao avano de outras disciplinas que antes se abrigavam sombra, excessivamente vasta, da losoa. As concep-es de autores antigos e medievais, e mesmo de algunsmodernos, consideravam indiscriminadamente como -loscas investigaes que hoje denominamos simples-mente de cientcas. Assuntos como as leis do movi-mento, a estrutura da matria e o funcionamento dos pro-cessos psicolgicos que hoje consideramos como temasda fsica, da qumica e da psicologia, respectivamente eram todos reunidos na noo de losoa natural. Apsa revoluo cientca do sculo XVII, as investigaes dalosoa natural foram gradualmente se desvencilhandoda losoa e se constituram em domnios especcos eindependentes de pesquisa. De certa forma, os proble-mas clssicos da losoa formam hoje um conjunto deassuntos elusivos que no se dobraram metodologia in-dutiva e experimental das cincias.[26] Mas isso no im-plica dizer que a losoa atual seja mero resduo do pro-cesso de crescimento e consolidao da cincia moderna.Dizer isso seria esquecer o aspecto profundamente din-mico e reexivo da losoa. A reexo losca no algo que ocorra num limbo intelectual: ela acompanhade perto a evoluo das cincias, da poltica, da religio edas artes.[18] Essa evoluo tende a apresentar novos pro-blemas e desaos que, por escaparem ao estrito domnioda disciplina em que surgiram, podem ser chamados deloscos.Talvez no haja uma resposta categrica pergunta Oque losoa?.[18] Os lsofos divergem entre si sobreo que fazem, os problemas loscos ramicam-se inde-nidamente e os mtodos variam conforme a concepodo que seja o trabalho losco. Talvez a armao deSimmel de que s possvel entender a losoa no m-bito da losoa possa ser tomada como uma advertnciaquando contrastada com o amplo espectro de conceitossobre a sua natureza: ao adotar uma das diferentes ori-entaes loscas, tratamos de determinados problemase adotamos determinados mtodos para tentar esclarec-los; mas, dado que h outras concepes, conforme ou-tros mtodos e conforme outras nalidades, devemos mo-destamente reconhecer que essas concepes alternativastm o mesmo direito de ostentar o ttulo de losoa quea nossa concepo.

  • 6 3 MTODOS DA FILOSOFIA

    Discusso noite adentro, de William Blades: o debate franco deideias, conforme os padres da argumentao lgica, uma dascaractersticas centrais da atividade losca.

    3 Mtodos da losoaOs trabalhos loscos so realizados mediante tcni-cas e procedimentos que integram os cnones do pen-samento racional. Tradicionalmente, a losoa destacae privilegia a argumentao lgica, em linguagem natu-ral ou em linguagem simblica, como a ferramenta porexcelncia da apresentao e discusso de teorias los-cas. A argumentao lgica est associada a dois ele-mentos importantes: a articulao rigorosa dos conceitose a correta concatenao das premissas e concluses, demodo que essas ltimas sejam derivaes incontestveisdas primeiras. Toda a ideia losca relevante inevita-velmente submetida a escrutnio crtico; e a presena defalhas na argumentao (falcias, sosmas, etc.) fre-quentemente o primeiro alvo das crticas. Desse modo,o destino de uma tese qualquer que no esteja amparadapor argumentos slidos e convincentes ser, frequente-mente, severamente rejeitada por parte da comunidadelosca. Embora a reexo sobre os princpios e m-todos da lgica s tenha sido realizada pela primeira vezpor Aristteles, a nfase na argumentao lgica e na cr-tica solidez dos argumentos uma caracterstica queacompanha a losoa desde os seus primrdios. A pr-pria ruptura entre o pensamento mtico-religioso e o pen-samento racional assinalada pela adoo de uma posturaargumentativa e crtica em relao s explicaes tradici-onais. Quando Anaximandro rejeitou as explicaes deseu mestre Tales de Mileto e props concepes al-ternativas sobre a natureza e estrutura do cosmos, o pen-samento humano dava seus primeiro passos em direoao debate franco, pblico e aberto de ideias, orientadoapenas por critrios racionais de correo, como formadestacada de se aperfeioar o conhecimento; e abando-nava, assim, as narrativas tradicionais sobre a origem ecomposio do universo, apoiadas na autoridade inques-tionvel da tradio ou em ensinamentos esotricos.[27]

    Mas no se podem restringir os mtodos da losoa ape-nas nfase geral na argumentao lgica e na crticasistemtica s teorias apresentadas. Nas grandes tradi-es da histria da losoa, podem ser identicadas duasorientaes bem abrangentes, cujos objetivos e tcnicastendem a diferir radicalmente: existem as escolas que pri-

    vilegiam uma abordagem analtica dos problemas los-cos e aquelas que optam por uma abordagem predomi-nantemente sinttica ou sinptica.[3]

    A orientao analtica exemplicada nos trabalhos lo-scos que se dedicam decomposio de um conceitoem suas partes constituintes e ao exame criterioso das re-laes lgicas e conceptuais explicitadas pela anlise. Oexemplo clssico a anlise do conceito de conhecimento.A reexo sobre a natureza do conhecimento levou oslsofos a decompor a noo de conhecimento em trsnoes associadas: crena, verdade e justicao. Paraque algo seja conhecimento imprescindvel que seja an-tes uma crena em outras palavras, o conhecimento uma espcie diferenciada do gnero mais abrangente dacrena. A pergunta bvia que essa primeira constataosugere : o que diferencia, ento, o conhecimento dasdemais formas de crena? Nesse ponto, o exame do con-ceito conduz a duas noes distintas. Em primeiro lugar, noo de verdade. Intuitivamente separamos as cren-as falsas das verdadeiras. por isso que mantemos acrena de que Papai Noel existe num patamar diferenteda crena de que a Lua gira em torno da Terra quem sus-tenta a primeira, tem apenas uma crena; quem sustentaa ltima, provavelmente sabe algo sobre o sistema solar,pois exprime uma crena verdadeira. Mas, para que sejapromovida condio de conhecimento, a crena precisade algo mais: ela precisa ser apoiada por alguma esp-cie de justicao. Alm de sustentar uma crena ver-dadeira, o sujeito deve ser capaz de apresentar os meiosou as fontes, consideradas universalmente legtimas, quelhe propiciaram chegar crena em questo. Feito esseexame, a concluso a clebre frmula: o conhecimento crena verdadeira justicada.[28] Nesse e em muitos ou-tros casos envolvendo noes losocamente relevantes,o trabalho de anlise capaz de explicitar pressupostosimportantes implicitamente presentes no uso dos concei-tos.A outra orientao a sinttica percorre o caminhooposto ao da anlise. Os adeptos dessa orientao bus-cam elaborar uma sntese de vrias noes relevantes eapresent-las como um todo harmnico.[3] s vezes cha-mada de losoa especulativa, essa orientao los-ca pretende revelar princpios universais que possamreunir organicamente vrios elementos dspares, que apa-rentemente no guardam relaes relevantes entre si.[29]Um caso paradigmtico dessa orientao a losoa he-geliana, cujo to integrar numa dinmica pantesta aevoluo das mais diversas formas de manifestao dacultura humana artes, leis, governos, religies, cinciase losoas.Desde o surgimento da cincia moderna, vrios lsofosbuscaram separar a investigao losca da investigaocientca por meio de uma caracterizao dos mtodospeculiares losoa. Como as cincias especiais privi-legiam a investigao emprica, especialmente por ado-o de mtodos experimentais, defendeu-se que a ado-o de mtodos a priori (isto , de mtodos que antece-

  • 7dem a investigao emprica ou so dela independentes)seria o trao denidor do trabalho losco. Nos casosda argumentao lgica, da anlise conceptual e da sn-tese compreensiva no h necessidade de observao dosfenmenos para que se decida se uma concluso ou no logicamente correta, se um conceito est sendo ou nocorretamente empregado ou se uma viso sinptica ouno incoerente. Isso no implica um divrcio entre acincia e a losoa. Ao contrrio, implica que os lso-fos esto aptos a analisar os conceitos e argumentos dascincias especiais, e, nesse domnio, podem prestar umservio relevante ao aperfeioamento das teorias cient-cas.

    Kant deduzindo coisas que no so passveis de ser experiencia-das - Trabalho artstico de Friedrich Hagermann, 1801.

    Alm das orientaes metodolgicas acima explicadas,h outras duas estratgias que podem ser caracterizadoscomo mtodos a priori. Os experimentos mentais e os

    O dilema do bonde um experimento mental para ilustrar e co-locar prova distintas teorias ticas

    argumentos transcendentais. Um experimento mental (svezes tambm chamado de experincia de pensamento) a elaborao de uma situao puramente hipottica geralmente impossvel de ser construda na prtica pormeio da qual o lsofo testa os limites de determina-dos pressupostos ou conceitos. O experimento mentalmais famoso da histria da losoa a hiptese do GnioMaligno concebida por Descartes: ao imaginar um deusonipotente que se dedica a ludibri-lo, Descartes leva oceticismo ao seu extremo a m de identicar uma cer-teza inabalvel capaz de superar at mesmo a hiptese doGnio Maligno. (Essa hiptese recebeu uma roupagemmoderna na elaborao de outro experimento mental ocrebro numa cuba).[30]

    O outro mtodo o dos argumentos transcendentais foiconcebido por Kant, e consiste em tomar como dados osfatos da experincia, e deduzir coisas que no so pass-veis de ser experienciadas, mas que constituem a prpriacondio de possibilidade daqueles fatos. Com essa es-pcie de argumento, Kant concluiu, por exemplo, que aforma pura do espao uma das condies necessriaspressupostas pela experincia dos objetos externos, poissem ela tal experincia seria impossvel.[31]

    Embora o emprego da lgica formal, da anlise concep-tual e dos experimentos mentais sejam constantes na lo-soa contempornea, predomina hoje, sobretudo na tra-dio analtica, a orientao que se convencionou cha-mar de naturalismo losco. Essa orientao tem suasorigens nos trabalhos do lsofo americano Willard VanOrman Quine (1908-2000) que criticam a distino entrequestes conceptuais e empricas. Os adeptos do natura-lismo rejeitam a suposio de que a losoa se diferen-cie das cincias por um conjunto de mtodos prprios:os problemas loscos e os cientcos pertencem a umanica e mesma esfera e, portanto, os mtodos cientcos,historicamente bem-sucedidos, devem tambm ser apli-cados problemtica losca.

  • 8 6 EVOLUO HISTRICA

    4 Disciplinas loscasA losoa geralmente dividida em reas de investigaoespecca. Em cada rea, a pesquisa losca dedica-se elucidao de problemas prprios, embora sejam muitocomuns as interconexes. As reas tradicionais da loso-a so as seguintes:

    Metafsica: ocupa-se da elaborao de teorias so-bre a realidade e sobre natureza fundamental de to-das as coisas. O objetivo da metafsica forneceruma viso abrangente do mundo uma viso sinp-tica que rena em si os diversos aspectos da reali-dade. Uma das subreas da metafsica a ontologia(literalmente, a cincia do ser), cujo tema princi-pal a elaborao de escalas de realidade. Nessesentido, a ontologia buscaria identicar as entidadesbsicas ou elementares da realidade e mostrar comoessas se relacionam com os demais objetos ou indi-vduos - de existncia dependente ou derivada.[32]

    Epistemologia ou teoria do conhecimento: a rea da losoa que estuda a natureza doconhecimento, sua origem e seus limites. Dessaforma, entre as questes tpicas da epistemologia es-to: O que diferencia o conhecimento de outrasformas de crena?, O que podemos conhecer?,Como chegamos a ter conhecimento de algo?.[32]

    Lgica: a rea que trata das estruturas formais doraciocnio perfeito ou seja, daqueles raciocnioscuja concluso preserva a verdade das premissas. Nalgica so estudados, portanto, os mtodos e princ-pios que permitem distinguir os raciocnios corretosdos raciocnios incorretos.[33]

    tica ou losoa moral: a rea da losoa quetrata das distines entre o certo e o errado, entre obem e o mal. Procura identicar os meios mais ade-quados para aprimorar a vida moral e para alcanaruma vida moralmente boa. Tambm no campo datica do-se as discusses a respeito dos princpiose das regras morais que norteiam a vida em socie-dade, e sobre quais seriam as justicativas racionaispara adotar essas regras e princpios.[32]

    Filosoa poltica: o ramo da losoa que inves-tiga os fundamentos da organizao sociopoltica edo Estado. So tradicionais nessa rea, as hipte-ses sobre o contrato original que teria dado incio vida em sociedade, institudo o governo, os deverese os direitos dos cidados. Muitas dessas situaeshipotticas so elaboradas no intuito de recomen-dar mudanas ou reformas polticas aptas a apro-ximar as sociedades concretas de um determinadoideal poltico.[32]

    Esttica ou losoa da arte: entre as investigaesdessa rea, encontram-se aquelas sobre a natureza

    da arte e da experincia esttica, sobre como a ex-perincia esttica se diferencia de outras formas deexperincia, e sobre o prprio conceito de belo.[32]

    Metalosoa: a losoa da losoa. Procuradeterminar, entre outras coisas, o que , suas limita-es e o objetivo da losoa enquanto ramo do saberhumano.

    5 Cronologia

    6 Evoluo histrica

    6.1 Pensamento mtico e pensamento lo-sco

    Como em muitas outras sociedades antigas, as narrativasmticas desempenhavam uma funo central na socie-dade grega. Alm de estabelecer marcos importantes navida social, os mitos gregos promoviam uma concepode mundo de natureza religiosa que propiciava respostass principais indagaes existenciais que desde sempreinquietaram o esprito humano. Os eventos histricos, osfenmenos naturais e os principais eventos da vida hu-mana (nascimento, casamento, doena e morte) eram en-trelaados s histrias tradicionais sobre conitos entredeuses, intercmbios entre deuses e homens e feitos me-morveis de semideuses.Originalmente, a palavra grega mythos signicava sim-plesmente palavra ou fala;[34] mas o termo reme-tia tambm noo de uma palavra proferida comautoridade.[35] As histrias picas de Homero, permeadasde intervenes sobrenaturais, ou a teogonia de Hesodoeram mythos no sentido de serem anncios revestidosde autoridade, dignos de crdito e reverncia. Gradual-mente, o termo foi assumindo outro sentido e j pocade Plato e Aristteles o mythos era empregado para ca-racterizar histrias ctcias ou absurdas que se afasta-riam do logos - isto , do discurso racional.[36] Arist-teles, por exemplo, considerava a losoa como um em-preendimento intelectual completamente distinto das ela-boraes mitolgicas. Na Metafsica, ao tratar do pro-blema da incorruptibilidade, Aristteles menciona He-sodo e, logo em seguida, descarta peremptoriamentesuas opinies, pois, segundo ele, no precisamos perdertempo investigando seriamente as sutilezas dos criadoresde mitos.[37]

    Pode-se dizer que a losoa surge como uma espcie derompimento com a viso mtica do mundo. Enquanto osmitos se organizavam em narraes, imagens e seres par-ticulares, a losoa inaugurava o discurso argumentativo,abstrato e universal. Alm disso, ao contrrio dos autoresde mitos, os lsofos gregos tentaram com anco elabo-rar concepes de mundo que fossem isentas de contra-dies e imperfeies lgicas.

  • 6.2 Filosoa antiga 9

    Desse modo, no sem razo que muitos autores enfa-tizam o carter de ruptura e divergncias ao comparar oadvento da losoa com a tradio mtica da Grcia an-tiga. Mas, embora sejam inegveis as diferenas, maisrecentemente vrios estudiosos tm apontado os pontosde continuidade e semelhana entre as primeiras elu-cubraes loscas dos gregos e as suas concepesmitolgicas.[38] Para esses autores, as peculiaridades datradio mtica grega favoreceram o surgimento da lo-soa grega e os primeiros lsofos empenharam-se numaespcie dessacralizao e despersonalizao das narrati-vas tradicionais sobre o surgimento e organizao do cos-mos.

    6.2 Filosoa antiga

    6.2.1 Babilnia

    6.2.2 Grcia Antiga

    A losoa antiga teve incio no sculo VI a.C. e se es-tendeu at a decadncia do imprio romano no sculo Vd.C. Pode-se dividi-la em quatro perodos: (1) o perododos pr-socrticos; (2) um perodo humanista, em queScrates e os sostas trouxeram as questes morais parao centro do debate losco; (3) o perodo ureo da -losoa em Atenas, em que despontaram Plato e Arist-teles; (4) e o perodo helenstico. s vezes se distingueum quinto perodo, que compreende os primeiros lso-fos cristos e os neoplatonistas.[39] Os dois autores maisimportantes da losoa antiga em termos de inunciaposterior foram Plato e Aristteles.Os primeiros lsofos gregos, geralmente chamadosde pr-socrticos, dedicaram-se a especulaes sobre aconstituio e a origem do mundo. O principal intuitodesses lsofos era descobrir um elemento primordial,eterno e imutvel que fosse a matria bsica de todas ascoisas. Essa substncia imutvel era chamada de physis(palavra grega cuja traduo literal seria natureza, masque na concepo dos primeiros lsofos compreendiaa totalidade dos seres, inclusive entidades divinas),[40] e,por essa razo, os primeiros lsofos tambm foram co-nhecidos como os physiologoi (literalmente silogos,isto , os lsofos que se dedicavam ao estudo da phy-sis).[41] A questo da essncia material imutvel foi a pri-meira feio assumida por uma inquietao que percor-reu praticamente toda a losoa grega. Essa inquietaopode ser traduzida na seguinte pergunta: existe uma rea-lidade imutvel por trs das mudanas caticas dos fen-menos naturais? J os prprios pr-socrticos propuse-ram respostas extremas a essa pergunta. Parmnides deEleia defendeu que a perenemutao das coisas no passade uma iluso dos sentidos, pois a razo revelaria que oSer nico, imutvel e eterno.[42] Herclito de feso,por outro lado, defendeu uma posio diametralmenteoposta: a prpria essncia das coisas mudana, e seriamvos os esforos para buscar uma realidade imutvel.[43]

    Tais especulaes, que combinavam a oposio entre re-alidade e aparncia com a busca de uma matria pri-mordial, culminaram na losoa atomista de Leucipo eDemcrito. Para esses lsofos a substncia de todas ascoisas seriam partculas minsculas e invisveis os to-mos em perene movimentao no vcuo. E os fenme-nos que testemunhamos cotidianamente so resultado dacombinao, separao e recombinao desses tomos.A teoria de Demcrito representou o pice da losoada physis, mas tambm o seu esgotamento. As trans-formaes sociopolticas, especialmente em Atenas, jimpunham novas demandas aos sbios da poca. Ademocracia ateniense solicitava novas habilidades inte-lectuais, sobretudo a capacidade de persuadir. nessemomento que se destacam os lsofos que se dedicamjustamente a ensinar a retrica e as tcnicas de persua-so os sostas. O ofcio dessa nova espcie de lsofostrazia como pressuposto a ideia de que no h verdadesabsolutas. O importante seria dominar as tcnicas da boaargumentao, pois, dominando essas tcnicas, o indiv-duo poderia defender qualquer opinio, sem se preocu-par com a questo de sua veracidade. De fato, para ossostas, a busca da verdade era uma pretenso intil. Averdade seria apenas uma questo de aceitao coletivade uma crena, e, a princpio, no haveria nada que im-pedisse que o que hoje tomado como verdade, amanhfosse considerado uma tolice.[44]

    O contraponto a esse relativismo dos sostas foi Scra-tes. Embora partilhasse com os sostas certa indiferenaem relao aos valores tradicionais, Scrates dedicou-se busca de valores perenes. Scrates no deixou nenhumregistro escrito de suas ideias. Tudo o que sabemos delechegou-nos atravs do testemunho de seus discpulos econtemporneos. Segundo dizem, Scrates teria defen-dido que a virtude conhecimento e as faltas morais pro-vm da ignorncia.[45] O indivduo que adquirisse o co-nhecimento perfeito seria inevitavelmente bom e feliz.Por outro lado, essa busca simultnea do conhecimentoe da bondade deve comear pelo exame profundo de simesmo e das crenas e valores aceitos acriticamente. Se-gundo contam, Scrates foi um inquiridor implacvel efez fama por sua habilidade de levar exasperao os seusantagonistas. Ao concidado que se dizia justo, Scratesperguntava O que a justia?, e depois se dedicava ademolir todas as tentativas de responder pergunta.A atitude de Scrates acabou por lhe custar a vida. Seusadversrios conseguiram lev-lo a julgamento por impi-edade e corrupo de jovens. Scrates foi condenado morte mais especicamente, a envenenar-se comcicuta. Segundo o relato de Plato, o seu mais famosodiscpulo, Scrates cumpriu a sentena com absoluta se-renidade e destemor.Coube a Plato levar adiante os ensinamentos do mestree super-los. Plato realiza a primeira grande sntese dalosoa grega. Em seus dilogos, combinam-se as anti-gas questes dos pr-socrticos com as urgentes questes

  • 10 6 EVOLUO HISTRICA

    A Morte de Scrates, Jacques-Louis David, 1787.

    morais e polticas, o discurso racional com a intuioms-tica, a elucubrao lgica com a obra potica, os mitoscom a cincia.Segundo Plato, os nossos sentidos s nos permitem per-ceber uma natureza catica, em que as mudanas e a di-versidade aparentam no obedecer a nenhum princpioregulador; mas a razo, ao contrrio, capaz de ir almdessas aparncias e captar as formas imutveis que so ascausas e modelos de tudo o que existe. A geometria for-nece um bom exemplo. Ao demonstrar seus teoremas osgemetras empregam guras imperfeitas. Por mais acu-rado que seja o compasso, os desenhos de crculos semprecontero irregularidades e imperfeies. As guras sen-sveis do crculo esto sempre aqum de seu modelo eesse modelo a prpria ideia de crculo, concebvel ape-nas pela razo. O mesmo ocorre com os demais seres:os cavalos que vemos so todos diferentes entre si, mash um princpio unicador a ideia de cavalo que nosfaz chamar a todos de cavalos. Com os valores, no seriadiferente. As diferentes opinies sobre questes morais eestticas devem-se a uma viso empobrecida das coisas.Os que empreenderem uma busca sincera alcanaro aconcepo do Belo em si mesmo e do Bem em si mesmo.Ao contrrio do que o termo ideias possa sugerir, Platono as considera como meras construes psicolgicas;ao contrrio, ele lhes atribui realidade objetiva. As ideiasconstituem um mundo suprassensvel ou seja, uma di-menso que no podemos ver e tocar, mas que podemoscaptar como os olhos da razo. Essa a famosa teoriadas ideias de Plato. Ele a ilustra numa alegoria igual-mente clebre a alegoria da caverna.Plato nos convida a imaginar uma caverna em que seacham vrios prisioneiros. Eles esto amarrados de talmaneira que s podem ver a parede do fundo da caverna.s costas dos prisioneiros h um muro da altura de umhomem. Por trs desse muro, transitam vrias pessoascarregando esttuas de diversas formas todas elas sorplicas de coisas que vemos cotidianamente (rvores,pssaros, casas etc.). H tambm uma grande fogueira,atrs desse muro e dos carregadores. A luz da fogueirafaz com que as sombras das esttuas sejam projetadassobre o fundo da parede. Os barulhos e falas dos carre-

    gadores reverberam no fundo da caverna, dando aos pri-sioneiros a impresso de que so oriundos das sombrasque eles veem. Nessa situao imaginria, os prisionei-ros pensariam que as sombras e os ecos constituem tudoo que existe. Como nunca puderam ver nada alm dassombras projetadas na parede da caverna, acreditam queapenas as sombras so reais.Aps apresentar esse cenrio, Plato sugere que, se umdesses prisioneiros conseguisse se libertar, veria, comsurpresa, que as esttuas que sempre estiveram atrs dosprisioneiros so mais reais do que aquelas sombras. Aosair da caverna, a luz o ofuscaria; mas, aps se acostu-mar com a claridade, veria que as coisas da superfcieso ainda mais reais do que as esttuas. Esse prisioneiroque se liberta o lsofo, e a sua jornada em direo superfcie representa a o percurso da razo em sua lentaascenso ao conhecimento perfeito.

    A Escola de Atenas, de Rafael, representa os mais importanteslsofos, matemticos e cientistas da Antiguidade.

    Aristteles, discpulo de Plato e preceptor de Alexandre,o Grande, rejeitou a teoria das ideias. Para ele, a hip-tese de uma realidade separada e independente, consti-tuda apenas por entidades inteligveis, era uma duplica-o do mundo absolutamente desnecessria.[46] Na visode Aristteles, a essncia de uma coisa no consiste numaideia suplementar e separada, mas numa forma que lhe imanente. Essa forma imanente o que d organizaoe estrutura matria, e propicia, no caso dos organismosvivos, o seu desenvolvimento conforme a sua essncia.Aristteles tambm divergiu de Plato sobre o valor daexperincia na aquisio do conhecimento. Enquanto nalosoa platnica, h uma perene desconana em rela-o ao saber derivado dos sentidos, na losoa aristot-lica o conhecimento adquirido pela viso, audio, tatoetc. considerado como o ponto de partida do empreen-dimento cientco.Aristteles foi um pesquisador infatigvel, e seus interes-ses abarcavam praticamente todas as reas do conheci-mento. Foi o fundador da biologia; e o criador da lgicacomo disciplina. Fez contribuies originais e duradou-ras em metafsica e teologia, tica e poltica, psicologia eesttica. Alm de ter contribudo nas mais diversas disci-

  • 6.4 Filosoa oriental 11

    plinas, Aristteles realizou a primeira grande sistematiza-o das cincias, organizando-as conforme seus mtodose abrangncia. Em cada uma das disciplinas que criou,ou ajudou a criar, Aristteles cunhou uma terminologiaque at hoje est presente no vocabulrio cientco e lo-sco: como exemplos, podem-se mencionar as palavrassubstncia, categoria, energia, princpio e forma.[47]

    Na transio do sculo IV para o sculo III a.C., duranteo perodo helenstico, formam-se duas escolas loscascujos ensinamentos representam uma clara mudana denfase em relao Academia de Plato e escola pe-ripattica de Aristteles. Sua preocupao principal-mente a redeno pessoal. Tanto para Epicuro (ca.341-270 a.C.) e seus seguidores como para Zeno de Ctio edemais estoicos o principal objetivo da losoa deveriaser a obteno da serenidade de esprito. As duas esco-las tambm se assemelham na crena de que esse objetivopassa por uma espcie de harmonizao entre o indivduoe a natureza, mas divergem quanto forma de se realizaressa harmonizao. Para Epicuro, a sintonia com a natu-reza supe a aceitao das necessidades e desejos naturaise dos prazeres sensoriais. Dessa forma, ele preconiza afruio moderada dos prazeres e a comedida graticaodos desejos.[48] Os estoicos, por outro lado, sustentavama crena de que o cosmos e os seres humanos partilha-vam do mesmo logos divino. O ideal losco de vidaseria, na concepo dos estoicos, a adeso necessidaderacional da natureza e o desenvolvimento de uma abso-luta imperturbabilidade (ataraxia) em relao aos fatos eeventos do mundo.[49]

    A Antiguidade tardia viu ainda o orescimento de umanova interpretao do platonismo, de acentuada tendn-cia mstica o chamado Neoplatonismo. Seu principalrepresentante, Plotino (205-270), defendeu que o princ-pio fundamental e divino do universo seria o Uno e quedesse princpio fundamental emanavam novas realidades,de diferentes graus de perfeio. O universo material esensvel o mundo das sombras da alegoria platnica seria uma emanao distante do Uno, e, por isso, apre-sentaria os traos de imperfeio e inconstncia que ocaracterizam.[50]

    6.2.3 Imprio Romano

    O pensamento losco no Imprio Romano foi basica-mente um prolongamento da losoa helenstica/grega.Inuenciados pelo estoicismo e pelo epicurismo, seus l-sofos preocupavam-se principalmente com moral e tica.Alguns de seus maiores nomes foram Sneca, Epiteto e oimperador Marco Aurlio.

    6.3 frica

    A losoa desenvolvida no Antigo Egito caracterizava-sepela exibilidade, pragmatismo e a busca pelo controledas emoes.[51]

    De modo geral, a losoa africana foi fortemente inu-enciada pela losoa helenstica (na Idade Antiga), pelaslosoas crist (antiguidades clssica e tardia) e islmica(desde o perodo medieval).

    6.4 Filosoa oriental6.4.1 China

    O lsofo K'ung-fu-tzu (Confcio, 551 a.C. 479a.C.) desenvolveu o sistema losco-religioso doConfucionismo. Este, valoriza os preceitos da bondade,cortesia, moral, integridade, delidade e honra.[52]

    Outros lsofos importantes foram: Mozi (470 a.C. - 391a.C.), fundador do Mosmo que enfatiza o pragmatismo.Chuang-Tzu: (369 a.C. - 286 a.C.) considerado um pre-cursor do antinomismo, anarquismo, multiculturalismo erelatividade e, que criticava tanto confucionistas quantomostas.

    6.4.2 ndia

    Adi Shankara

    O perodo entre o quinto e nono sculo d.C foi a maisbrilhante poca no desenvolvimento da losoa indiana,hindu e budista, losoas que oresceram lado a lado.[53]

    Destas vrias escolas de pensamento, a no-dualistaAdvaita Vedanta emergiu como a mais inuente[54] e aescola mais dominante.[55] Os principais lsofos dessaescola foram Gaudapada, Adi Shankara e Vidyaranya.

  • 12 6 EVOLUO HISTRICA

    Advaita Vedanta rejeita o tesmo e o dualismo, insistindoque Brahma a realidade nal sem partes ou atributos...um sem um segundo. Uma vez que Brahma no tem pro-priedades, no contm diversidade interna e idnticocom o conjunto da realidade, no pode ser entendidocomo Deus.[56] Brahma apesar de ser indescritvel me-lhor descrito como Satchidananda (Existncia, Consci-ncia e Bem-Aventurana) por Shankara.Advaita inaugurou uma nova era na losoa indiana e,como resultado, muitas novas escolas de pensamento sur-giram no perodo medieval.

    6.5 Filosoa medieval6.5.1 Europa

    So Toms de Aquino

    A losoa medieval a losoa da Europa ocidental,oriental (Imprio Bizantino) e do Oriente Mdio du-rante a Idade Mdia. Comea, aproximadamente, coma cristianizao do Imprio Romano e encerra-se coma Renascena. A losoa medieval pode ser conside-rada, em parte, como prolongamento da losoa greco-romana[57] e, em parte, como uma tentativa de conciliaro conhecimento secular e a doutrina sagrada.[58]

    A Idade Mdia carregou por muito tempo o ep-teto depreciativo de idade das trevas, atribudo pe-los humanistas renascentistas; e a losoa desenvolvida

    nessa poca padeceu do mesmo desprezo. No entanto,essa era de aproximadamente mil anos foi o mais longoperodo de desenvolvimento losco na Europa e umdos mais ricos. Jorge Gracia defende que em inten-sidade, sosticao e aquisies, pode-se corretamentedizer que o orescimento losco no sculo XIII riva-liza com a poca urea da losoa grega no sculo IV a.C.[59].Entre os principais problemas discutidos nessa poca es-to a relao entre f e razo, a existncia e unidade deDeus, o objeto da teologia e da metafsica, os problemasdo conhecimento, dos universais e da individualizao.Entre os lsofos medievais do ocidente, merecem desta-que Agostinho de Hipona, Bocio, Anselmo de Cantu-ria, Pedro Abelardo, Roger Bacon, Boaventura de Bagno-regio, Toms de Aquino, Joo Duns Escoto, Guilhermede Ockham e Jean Buridan; no oriente os bizantinosPrisco de Pnio, Leo, o Matemtico e Miguel Pselo;na civilizao islmica, Avicena, Avempace, Alfarbi,Ghazali e Averrois; entre os judeus, Moiss Maimnides(ver: Filosoa judaica).Toms de Aquino (1225-1274), fundador do tomismo,exerceu inuncia inigualvel na losoa e na teologiamedievais. Em sua obra, ele deu grande importncia razo e argumentao, e procurou elaborar uma snteseentre a doutrina crist e a losoa aristotlica. A lo-soa de Toms de Aquino representou uma reorientaosignicativa do pensamento losco medieval, at entomuito inuenciado pelo neoplatonismo e sua reinterpre-tao agostiniana.

    6.5.2 Oriente Mdio

    No pensamento islmico, o que se refere losoa du-rante a "idade de ouro islmica", tradicionalmente datadaentre os sculos 8 e 12, pode-se distinguir duas correntesprincipais. A primeira a Kalam , que tratou principal-mente de teologia islmica. Estas incluem as Mu'tazili eAsh'ari. A outra Falsafa, que foi fundada em interpre-taes do aristotelismo e neoplatonismo.Houve tentativas por lsofos-telogos posteriores a har-monizar ambas as tendncias, nomeadamente atravs deAvicena que fundou a escola do Avicennismo entre ou-tros.

    6.6 Filosoa do Renascimento

    A transio da Idade Mdia para a Idade Modernafoi marcada pelo Renascimento e pelo Humanismo.[60]Nesse perodo de transio, a redescoberta de textos daAntiguidade[61] contribuiu para que o interesse los-co sasse dos estudos tcnicos de lgica, metafsica eteologia e se voltasse para estudos eclticos nas reasda lologia, da moralidade e do misticismo. Os estudosdos clssicos e das letras receberam uma nfase indita e

  • 6.7 Filosoa moderna 13

    O Homem vitruviano, de Leonardo Da Vinci, resume vrios dosideais do pensamento renascentista.

    desenvolveram-se de modo independente da escolsticatradicional. A produo e disseminao do conheci-mento e das artes deixam de ser uma exclusividade dasuniversidades e dos acadmicos prossionais, e isso con-tribui para que a losoa v aos poucos se desvencilhandoda teologia. Em lugar de Deus e da religio, o conceitode homem assume o centro das ocupaes artsticas, lite-rrias e loscas.[62]

    O renascimento revigorou a concepo da natureza comoum todo orgnico, sujeito compreenso e inunciahumanas. De uma forma ou de outra, essa concepoest presente nos trabalhos de Nicolau de Cusa, GiordanoBruno, Bernardino Telesio e Galileu Galilei. Essa rein-terpretao da natureza acompanhada, em muitos ca-sos, de um intenso interesse por magia, hermetismo eastrologia considerados ento como instrumentos decompreenso e manipulao da natureza. medida que a autoridade eclesial cedia lugar autori-dade secular e que o foco dos interesses voltava-se paraa poltica em detrimento da religio, as rivalidades entreos Estados nacionais e as crises internas demandavam noapenas solues prticas emergenciais, mas tambm umaprofunda reexo sobre questes pertinentes losoapoltica. Desse modo, a losoa poltica, que por vriossculos esteve dormente, recebeu um novo impulso du-rante o Renascimento. Nessa rea, destacam-se as obrasde Nicolau Maquiavel e Jean Bodin.[63]

    6.7 Filosoa moderna

    Ren Descartes, fundador da losoa moderna e do raciona-lismo.

    A losoa moderna caracterizada pela prepondernciada epistemologia sobre ametafsica. A justicativa dos -lsofos modernos para essa alterao estava, em parte, naideia de que, antes de querer conhecer tudo o que existe,seria conveniente conhecer o que se pode conhecer.[64]

    Geralmente considerado como o fundador da losoamoderna,[65] o cientista, matemtico e lsofo francsRen Descartes (1596-1650) redirecionou o foco da dis-cusso losca para o sujeito pensante. O projeto deDescartes era o de assentar o edifcio do conhecimentosobre bases seguras e conveis. Para tanto, acreditavaele ser necessrio um procedimento prvio de avaliaocrtica e severa de todas as fontes do conhecimento dis-ponvel, num procedimento que cou conhecido comodvida metdica. Segundo Descartes, ao adotar essa ori-entao, constatamos que resta como certeza inabalvel aideia de um eu pensante: mesmo que o sujeito ponha tudoem dvida, se ele duvida, porque pensa; e, se pensa, porque existe. Essa linha de raciocnio foi celebrizadapela frmula penso, logo existo (cogito ergo sum).[66][67]A partir dessa certeza fundamental, Descartes defendiaser possvel deduzir rigorosamente, ao modo de um ge-metra, outras verdades fundamentais acerca do sujeito,da natureza do conhecimento e da realidade.No projeto cartesiano esto presentes trs pressupostosbsicos: (1) a matemtica, ou o mtodo dedutivo ado-tado pela matemtica, o modelo a ser seguido peloslsofos; (2) existem ideias inatas, absolutamente ver-dadeiras, que de alguma forma esto desde sempre ins-critas no esprito humano; (3) a descoberta dessas ideias

  • 14 6 EVOLUO HISTRICA

    inatas no depende da experincia elas so alcanadasexclusivamente pela razo. Esses trs pressupostos tam-bm esto presentes nas losoas de Gottfried WilhelmLeibniz (1646-1716) e Baruch Spinoza (1632-1677), econstituem a base do movimento losco denominadoracionalismo.[68]

    Se os racionalistas priorizavam o modelo matemtico,a losoa antagnica o empirismo enfatizava osmtodos indutivos das cincias experimentais. O l-sofo John Locke (1632-1704) props a aplicao dessesmtodos na investigao da prpria mente humana. Empatente confronto com os racionalistas, Locke argumen-tou que a mente chega ao mundo completamente vazia decontedo uma espcie de lousa em branco ou tabularasa; e todas as ideias com que ela trabalha so necessa-riamente originrias da experincia.[69] Esse pressupostotambm adotado pelos outros dois grandes lsofosdo empirismo britnico, George Berkeley (1685-1753) eDavid Hume (1711-1776). John Locke inuenciou tam-bm a losoa poltica, sendo um dos principais tericosna base do conceito moderno de democracia liberal.[70]

    As ideias do empirismo ingls tambm se difundiram naFrana; e o entusiasmo com as novas cincias levou osintelectuais franceses a defender uma ampla reforma cul-tural, que remodelasse no s a forma de se produzir co-nhecimento, mas tambm as formas de organizao so-cial e poltica. Esse movimento amplo e contestatrio -cou conhecido como Iluminismo. Os lsofos iluministasrejeitavam qualquer forma de crena que se baseasse ape-nas na tradio e na autoridade, em especial as divulga-das pela Igreja Catlica. Um dos marcos do Iluminismofrancs foi a publicao da Encyclopdie. Elaborada soba direo de Jean le Rond dAlembert e Denis Diderot,essa obra enciclopdica inovadora incorporou vrios dosvalores defendidos pelos iluministas e contou com a cola-borao de vrios de seus nomes mais destacados, comoVoltaire, Montesquieu e Rousseau.Em 1781, Immanuel Kant publicou a sua famosa Crticada Razo Pura, em que prope uma espcie de sntese en-tre as teses racionalistas e empiristas. Segundo Kant, ape-sar de o nosso conhecimento depender de nossas percep-es sensoriais, essas no constituem todo o nosso conhe-cimento, pois existem determinadas estruturas do sujeitoque as antecedem e tornam possvel a prpria formaoda experincia. O espao, por exemplo, no uma rea-lidade que passivamente assimilamos a partir de nossasimpresses sensoriais. Ao contrrio, somos ns que im-pomos uma organizao espacial aos objetos. Do mesmomodo, o sujeito no aprende, aps inmeras experincias,que todas as ocorrncias pressupem uma causa; antes, a estrutura peculiar do sujeito que impe aos fenmenosuma organizao de causa e efeito. Uma das consequn-cias da losoa kantiana estabelecer que as coisas em simesmas no podem ser conhecidas. A fronteira de nossoconhecimento delineada pelos fenmenos, isto , pe-los resultados da interao da realidade objetiva com osesquemas cognitivos do sujeito.

    6.8 Filosoa do sculo XIX

    Geralmente se considera que depois da losoa de Kanttem incio uma nova etapa da losoa, que se caracteri-zaria por ser uma continuao e, simultaneamente, umareao losoa kantiana. Nesse perodo desenvolve-seo idealismo alemo (Fichte, Schelling e Hegel), que levaas ideias kantianas s ltimas consequncias. A noode que h um universo inteiro (a realidade em si mesma)inalcanvel ao conhecimento humano, levou os idealis-tas alemes a assimilar a realidade objetiva ao prpriosujeito no intuito de resolver o problema da separaofundamental entre sujeito e objeto. Assim, por exemplo,Hegel postulou que o universo esprito. O conjunto dosseres humanos, sua histria, sua arte, sua cincia e suareligio so apenas manifestaes desse esprito absolutoem sua marcha dinmica rumo ao autoconhecimento.[71]Enquanto na Alemanha, o idealismo apoderava-se dodebate losco, na Frana, Auguste Comte retomavauma orientao mais prxima das cincias e inaugurava opositivismo e a sociologia. Na viso de Comte, a huma-nidade progride por trs estgios: o estgio teolgico, oestgio metafsico e, por m, o estgio positivo. No pri-meiro estgio, as explicaes so dadas em termos mito-lgicos ou religiosos; no segundo, as explicaes tornam-se abstratas, mas ainda carecem de cienticidade; no ter-ceiro estgio, a compreenso da realidade se d em ter-mos de leis empricas de sucesso e semelhana entreos fenmenos.[72] Para Comte, a plena realizao desseterceiro estgio histrico, em que o pensamento cientcosuplantaria todos os demais, representaria a aquisio dafelicidade e da perfeio.[73]

    Tambm no campo do desenvolvimento histrico, Marxe Engels davam uma nova formulao ao socialismo. Elesfazem uma releitura materialista da dialtica de Hegel nointuito de analisar e condenar o sistema capitalista. De-senvolvem a teoria da mais-valia, segundo a qual o lucrodos capitalistas dependeria inevitavelmente da explora-o do proletariado. Sustentam que o estado, as formaspoltico-institucionais e as concepes ideolgicas forma-vam uma superestrutura construda sobre a base das re-laes de produo[74] e que as contradies resultantesentre essa base econmica e a superestrutura levariam associedades inevitavelmente revoluo e ao socialismo.No campo da tica, os lsofos ingleses Jeremy Bentham(1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873) elaboramos princpios fundamentais do utilitarismo.[75] Para eles,o valor tico no algo intrnseco ao realizada; essevalor deve ser mensurado conforme as consequncias daao, pois a ao eticamente recomendvel aquela quemaximiza o bem-estar na coletividade.Talvez a teoria que maior impacto losco provocou nosculo XIX no tenha sido elaborada por um lsofo. Aopropor sua teoria da evoluo das espcies por seleonatural, Charles Darwin (1809-1882) estabeleceu as ba-ses de uma concepo de mundo profundamente revolu-cionria. O lsofo que melhor percebeu as srias im-

  • 6.9 Filosoa do sculo XX 15

    plicaes da teoria de Darwin para todos os campos deestudo foi Herbert Spencer (1820-1903). Em vrias pu-blicaes, Spencer elaborou uma losoa evolucionistaque aplicava os princpios da teoria da evoluo aos maisvariados assuntos, especialmente psicologia, tica e so-ciologia.Tambm no sculo XIX surgem lsofos que colocamem questo a primazia da razo e ressaltam os elementosvoluntaristas e emotivos do ser humano e de suas con-cepes de mundo e sociedade. Entre esses destacam-se Arthur Schopenhauer (1788-1860), Sren Kierkga-ard (1813-1855) e Friedrich Nietzsche (1844-1900). To-mando como ponto de partida a losoa kantiana, Scho-penhauer defende que omundo dos fenmenos omundoque representamos em ideias e que julgamos compreen-der no passa de uma iluso e que a foramotriz por trsde todos os nossos atos e ideias uma vontade cega, indo-mvel e irracional. Kierkgaard condena todas as grandeselaboraes sistemticas, universalizantes e abstratas dalosoa. Considerado um precursor do existencialismo,Kierkgaard enfatiza que as questes prementes da vidahumana s podem ser superadas por uma atitude religi-osa; essa atitude, no entanto, demanda uma escolha indi-vidual e passional contra todas as evidncias, at mesmocontra a razo.[76] Nietzsche, por sua vez, anuncia queDeus est morto; e declara, portanto, a falncia de to-das as concepes ticas, polticas e culturais que se as-sentam na doutrina crist. Em substituio aos antigosvalores, Nietzsche prescreve um projeto de vida volunta-rista aos mais nobres, mais capazes, mais criativos - emsuma, queles em que fosse mais forte a vontade de po-tncia.[77]

    6.9 Filosoa do sculo XXNo sculo XX, a losoa tornou-se uma disciplina pro-ssionalizada das universidades, semelhante s demaisdisciplinas acadmicas. Desse modo, tornou-se tambmmenos geral e mais especializada. Na opinio de umproeminente lsofo: A losoa tem se tornado umadisciplina altamente organizada, feita por especialistaspara especialistas. O nmero de lsofos cresceu ex-ponencialmente, expandiu-se o volume de publicaes emultiplicaram-se as subreas de rigorosa investigao -losca. Hoje, no s o campo mais amplo da losoa demasiadamente vasto para uma nica mente, mas algosimilar tambm verdadeiro em muitas de suas subreasaltamente especializadas.[78]

    Nos pases de lngua inglesa, a losoa analtica tornou-se a escola dominante. Na primeira metade do sculo, foiuma escola coesa, fortemente modelada pelo positivismolgico, unicada pela noo de que os problemas lo-scos podem e devem ser resolvidos por anlise l-gica. Os lsofos britnicos Bertrand Russell e GeorgeEdward Moore so geralmente considerados os fundado-res desse movimento. Ambos romperam com a tradioidealista que predominava na Inglaterra em ns do sculo

    Jos Ortega y Gasset, 1883-1955

    Ludwig Wittgenstein, o mais importante lsofo analtico do s-culo passado.

    XIX e buscaram um mtodo losco que se afastassedas tendncias espiritualistas e totalizantes do idealismo.Moore dedicou-se a analisar crenas do senso comum e

  • 16 6 EVOLUO HISTRICA

    a justic-las diante das crticas da losoa acadmica.Russell, por sua vez, buscou reaproximar a losoa datradio empirista britnica e sintoniz-la com as des-cobertas e avanos cientcos. Ao elaborar sua teoriadas descries denidas, Russell mostrou como resol-ver um problema losco empregando os recursos danova lgica matemtica. A partir desse novo modelo pro-posto por Russell, vrios lsofos se convenceram de quea maioria dos problemas da losoa tradicional, se notodos, no seriam nada mais que confuses propiciadaspelas ambiguidades e imprecises da linguagem natural.Quando tratados numa linguagem cientca rigorosa, es-ses problemas revelar-se-iam como simples confuses emal-entendidos.Uma postura ligeiramente diferente foi adotada porLudwig Wittgenstein, discpulo de Russell. SegundoWittgenstein, os recursos da lgica matemtica servi-riam para revelar as formas lgicas que se escondempor trs da linguagem comum. Para Wittgenstein, a l-gica a prpria condio de sentido de qualquer sistemalingustico.[79] Essa ideia est associada sua teoria pic-trica do signicado, segundo a qual a linguagem capazde representar o mundo por ser uma gurao lgica dosestados de coisas que compem a realidade.Sob a inspirao dos trabalhos de Russell e de Wittgens-tein, o Crculo de Viena passou a defender uma formade empirismo que assimilasse os avanos realizados nascincias formais, especialmente na lgica. Essa versoatualizada do empirismo tornou-se universalmente co-nhecida como neopositivismo ou positivismo lgico. OCrculo de Viena consistia numa reunio de intelectuaisoriundos de diversas reas (losoa, fsica, matemtica,sociologia, etc.) que tinham em comum uma profundadesconana em relao a temas de teor metafsico. Paraesses lsofos e cientistas, caberia losoa elaborar fer-ramentas tericas aptas a esclarecer os conceitos funda-mentais das cincias e revelar os pontos de contatos entreos diversos ramos do conhecimento cientco. Nessa ta-refa, seria importante mostrar, entre outras coisas, comoenunciados altamente abstratos das cincias poderiam serrigorosamente reduzidos a frases sobre a nossa experin-cia imediata.[80]

    Fora dos pases de lngua inglesa, oresceram diferentesmovimentos loscos. Entre esses destacam-se a feno-menologia, a hermenutica, o existencialismo e versesmodernas do marxismo. Para Husserl, o trao fundamen-tal dos fenmenos mentais a intencionalidade. A estru-tura da intencionalidade constituda por dois elementos:noesis e noema. O primeiro elemento o ato intencio-nal; e o segundo o objeto do ato intencional. A cinciada fenomenologia trata do signicado ou da essncia dosobjetos da conscincia. A m de revelar a estrutura daconscincia, o fenomenlogo deve pr entre parntesis arealidade emprica. Segundo Husserl, os procedimentosfenomenolgicos desvelam o ego transcendental que aprpria base e fonte de unidade do eu emprico.[81] Coubea um dos alunos de Husserl, o lsofo alemo Martin

    Heidegger (1889-1976), construir uma losoa que mes-classe a fenomenologia, a hermenutica e o existencia-lismo. O ponto de partida de Heidegger foi a questoclssica da metafsica: o que o ser?". Mas, na abor-dagem de Heidegger, a resposta a essa questo passa poruma anlise dos modos de ser do ser humano que foipor ele denominado Dasein (Ser-a). O Dasein o nicoser que pode se admirar com a sua prpria existncia eindagar o sentido de seu prprio ser.O modo de existir do Dasein est intimamente co-nectado com a histria e a temporalidade e, em vistadisso, questes sobre autenticidade, cuidado, angstia,nitude e morte tornam-se temas centrais na losoa deHeidegger.[81]

    No nal do sculo XVIII houve a fundao da escola tra-dicionalista, conhecida como conservadorismo tradicio-nalista, conservadorismo tradicional, tradicionalismo,conservadorismo burkeano , conservadorismo clssico ou(no Reino Unido e Canad) torismo (de Tory), que des-creve uma losoa poltica enfatizando a necessidade deaplicao dos princpios da lei natural e transcendentesmorais: ordem, tradio, hierarquia e unidade orgnica,classicismo e alta cultura, e as esferas de interseco delealdade.[82]

    Alguns tradicionalistas abraaram os rtulos de"reacionrio" e "contrarrevolucionrio", desaando oestigma que acompanha estes termos desde o Ilumi-nismo. Este estigma acompanha o Tradicionalismodesde seu desenvolvimento na Europa do sculo 18,principalmente em resposta Guerra Civil Inglesa e daRevoluo Francesa.Em meados do sculo 20, a escola tradicionalista come-ou a organizar-se a srio como uma fora intelectual epoltica. Esta expresso mais moderna do conservado-rismo tradicionalista comeou entre um grupo de profes-sores universitrios dos EUA (rotulado de "novos con-servadores" pela imprensa popular) que rejeitou as no-es de individualismo, o liberalismo, a modernidade e oprogresso social, promoveu a renovao cultural e edu-cacional, e reavivou o interesse na Igreja, a famlia, oEstado, comunidade local, etc[83].

    6.10 Movimentos loscos da atualidade

    6.10.1 Filosoa clnica

    A losoa clnica um termo utilizado para denir di-versos conceitos loscos, voltado terapia da alma,usando o potencial prtico da losoa como recurso tera-putico para indivduos, organizaes ou empresas atra-vs de consultas individuais, discusses de grupo, semi-nrios, palestras, viagens ou cafs loscos. No Brasil otermo est fortemente vinculado ao movimento realizadopelo lsofo Lcio Packter e vem sendo apontado comouma ferramenta teraputica de grande monta.[84]

  • 17

    7 Ver tambm Anti-intelectualismo Artes liberais Cosmoviso Filosoa Portuguesa Histria da losoa no Brasil Histria das ideias Histria das mentalidades Histria intelectual Intelectualismo Lista de lsofos Metalosoa Mulheres na losoa Sabedoria Sapincia Conhecimento

    8 Referncias[1] [in Infopdia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-

    2014. [consult. 2014-12-20 13:49:01]. Disponvelna Internet: http://www.infopedia.pt/\protect\char"0024\relaxfilosofia]

    [2] Priberam

    [3] Teichman, J.; Evans, K. C. Philosophy: a beginners guide.3rd ed. Oxford: Blackwell.

    [4] Bailey, Andrew. First philosophy: values and society.Broadview Press, 2004. ISBN 9781551116570. p. 1.

    [5] Morente, M. G. Fundamentos de losoa: lies prelimi-nares. So Paulo: Mestre Jou, 1980. cap. 1.

    [6] Huisman, Denis & Vergez, Andr. Curso moderno de -losoa: introduo losoa das cincias. Rio de Janeiro:Livraria Freitas Bastos, 1980. p. 155-158.

    [7] Bailey, Andrew. First philosophy: values and society.Broadview Press, 2004. ISBN 9781551116570. p. 1.

    [8] Morente, M. G. Fundamentos de losoa: lies prelimi-nares. So Paulo: Mestre Jou, 1980. cap. 1.

    [9] Huisman, Denis & Vergez, Andr. Curso moderno de -losoa: introduo losoa das cincias. Rio de Janeiro:Livraria Freitas Bastos, 1980. p. 155-158.

    [10] Verso eletrnica do dilogo platnico Teeteto. p. 16.

    [11] Aristotle, Metaphysics. The Internet Classics Archive.

    [12] Magee, Bryan. Histria da Filosoa. So Paulo: EdiesLoyola, 2001. pp. 7-9

    [13] Chau, Marilena. Convite Filosoa. pg. 19.

    [14] (em francs) R. Bdus, philosopha, in (dir.) Jacob,Andr, Encyclopdie philosophique universelle, vol. 2: Lesnotions philosophiqe, tome 2, Paris, PUF.

    [15] (em francs) Alqui, F., Signication de la philosophie,Paris, 1971.

    [16] Simmel, Georg. On the nature of philosophy. In: ACollection of Essays. pg. 282.

    [17] Metafsica, Livro I, captulo 2. Na edio da coleo OsPensadores de 1973 (1. ed.), o trecho encontra-se pg.213.

    [18] Ferrater-Mora, Jos. Dicionrio de Filosoa. So Paulo:Loyola, 2.a ed., 2005. Tomo II. pp. 1044-1050.

    [19] Lindberg, D. The beginnings of western science. Chi-cago: University of Chicago Press, 2007. ISBN9780226482057. p. 242.

    [20] Philosophia est rerum humanarum divinarumque cogni-tio cum studio bene vivendi coniuncta. Etymologiae. Tra-duo para o ingls: The etimologies of Isidore of Seville.Cambridge: C.U.P. p. 79.

    [21] Ver, por exemplo, o aforismo III do Novum Organum:Cincia e poder do homem coincidem, uma vez que,sendo a causa ignorada, frustra-se o efeito. Pois a natu-reza no se vence, se no quando se lhe obedece. E oque contemplao apresenta-se como causa regra naprtica (So Paulo: Nova Cultural, 1999. Coleo OsPensadores).

    [22] Descartes, R. Princpios da Filosoa. Lisboa: Edies 70.p. 22.

    [23] Quinton, Anthonny. Filosoa. Crtica: revista de losoa.Acesso em 26/01/2011.

    [24] Prado Jr., Caio. O que losoa. So Paulo: Brasiliense,1981

    [25] Strawson, Peter. Filosoa como Gramtica Conceptual.Acesso em 06/12/2010

    [26] Russell, B. Os problemas da losoa. Captulo 15.

    [27] Popper, K. Conjecturas e Refutaes. 3a. ed. Brasilia:EdUnB, 1994. Cap. 4, Retorno aos Pr-Socrticos, pp.163s.

    [28] Steup, M. The Analysis of Knowledge. Stanford Encyclo-pedia of Philosophy. Acesso em: 28/01/2011.

    [29] Broad, C. D. Some Methods of Speculative Philosophy.Acesso em 28/01/2011.

    [30] Blackburn, S. Pense: uma introduo losoa. Lisboa:Gradiva, 2001. ISBN 9789726627906. Cap. 2.

    [31] Bunnin, N.; Yu, J (eds.) The Blackwell dictionary of Wes-tern philosophy. Blackwell, 2004. Blackwell ReferenceOnline. Acesso: 12 de maro de 2011.

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    [32] Solomon, R. C. & Higgins, K. M. The big questions: ashort introduction to philosophy. p. 7.

    [33] Copi, I. M. Introduo lgica. 2. ed. So Paulo: MestreJou, 1978. p. 19.

    [34] Coupe, Laurence. Myth. 2nd. ed. London; New York:Routledge, 2009. p. 9. ISBN 9780415442848

    [35] Morgan, Katheryn. Myth and Philosophy. Cambridge:Cambridge University Press, 2004. p. 17. ISBN0521621801

    [36] Vernant, Jean-Pierre. Myth and Society in Ancient Gre-ece. London: Methuen, 1982: o conceito de mito pe-culiar antiguidade clssica tornou-se, assim, claramentedenido pela oposio entre mythos e logos, desde entovistos como termos separados e contrastantes (p. 187).

    [37] Aristteles. Metafsica, III, 4.

    [38] Reale, Giovanni; Antiseri, Dario. Histria da Filosoa.So Paulo: Paulus, 1990. ISBN 8505010760. V. 1. pp.14-16.

    [39] Reale, Giovanni; Antiseri, Dario. Histria da Filosoa.So Paulo: Paulus, 1990. ISBN 8505010760. V. 1. p.26.

    [40] Bornheim, G. Os lsofos pr-socrticos. p. 13.

    [41] Guerreiro, Mario A. L. Pr-socrticos: a inveno da lo-soa. p. 40.

    [42] Chau, M. Introduo histria da losoa. p. 95.

    [43] Chau, M. Introduo histria da losoa. p. 105.

    [44] Zilles, U. Teoria do conhecimento. p. 59.

    [45] Stone, I. F. O julgamento de Scrates. p. 61.

    [46] Morente, Manuel Garca. Lecciones Preliminares deFilosofa, in Obras Completas. Barcelona: Anthropos;Madrid: Fundacin Caja de Madrid, 1996. V. I. ISBN8476584962, pp. 81-87

    [47] Durant, Will. A Histria da Filosoa. So Paulo: NovaCultural, s/d. ISBN 8535106952. p. 75

    [48] Reale, Giovanni. Histria da losoa antiga: os sistemasda Era Helenstica. So Paulo: Loyola, 2008. pp. 214s.

    [49] Reale, Giovanni. Histria da losoa antiga: os sistemasda Era Helenstica. So Paulo: Loyola, 2008. p. 361.

    [50] Cooper, D. E. Filosoas do Mundo. So Paulo: Loyola,2002. ISBN 8515023164. p. 167.

    [51] Bleiberg, Edward (2005). "Ancient Egypt 2675-332B.C.E.: Philosophy". In Bleiberg, Edward, et al. Arts andHumanities Through the Eras. Vol. 1: Ancient Egypt2675-332 B.C.E. Detroit: Gale. pgs. 182197.

    [52] Confucio. 'Confucio - Dialoghi' (em italiano). [S.l.]:Arnaldo Mondadori, 1989. ISBN 88-04-32463-5

    [53] ="Gandhi And Mahayana Buddhism

    [54] ="Gandhi And Mahayana Buddhism

    [55] ="Gandhi And Mahayana Buddhism

    [56] ="Gandhi And Mahayana Buddhism

    [57] Segundo Rafael Guerrero, houve losoa nessa pocaporque houve continuidade e sobrevivncia da losoa an-tiga: os medievais se preocuparam em assimilar, medidaque lhes foi possvel, a prtica e o saber das geraes an-teriores. Historia de la Filosofa Medieval. p. 10

    [58] The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. VerbeteMedieval Philosophy: O tema central da losoa me-dieval foi a tentativa de unir a f razo.

    [59] Gracia, Jorge. Medieval Philosophy. In: The BlackwellCompanion to Philosophy. pp. 619s

    [60] Charles Schmitt e Quentin Skinner (eds.), The CambridgeHistory of Renaissance Philosophy. Cambridge UniversityPress, 1988, p. 5, dene o perodo da losoa do Renas-cimento como o intervalo que vai da poca de Ockhamat os trabalhos revisionistas de Bacon, Descartes e seuscontemporneos.

    [61] Copenhaver, B.; Schmitt, C. Renaissance Philosophy, Ox-ford University Press, 1992, p. 4: pode-se considerarcomo marco da losoa da Renascena o amplo e acele-rado interesse, estimulado por novos textos disponveis,por fontes primrias do pensamento grego e romano queeram at ento desconhecidos ou dos quais pouco se sabiaou pouco se havia lido.

    [62] Gracia, Jorge. In: Bunnin, N.; Tsui-James, E.P. (eds.),The Blackwell Companion to Philosophy, Blackwell, 2002,p. 621: os humanistas ... recolocaram o homem no cen-tro das atenes e canalizaram seus esforos no sentido derecuperar e transmitir o saber clssico, particularmente oda losoa de Plato.

    [63] von Fritz, Kurt; Rev. Maurer, Armand; Levi, Albert W.;Stroll, Avrum; Wolin, Richard, Western philosophy(em ingls), Encyclopdia Britannica Online

    [64] Ver 4 da introduo de An essay concerning human un-derstandig, de John Locke; a introduo do Tratado da na-tureza humana, de David Hume; e o prefcio da primeiraedio da Crtica da razo pura, de Kant.

    [65] Russell, Bertrand. History of Western Philosophy. Lon-don: Routledge, 2004. ISBN 9780415325059. p. 511.

    [66] Descartes, R. Discurso do Mtodo. 4. parte.

    [67] Cottingham, J. Descartes. So Paulo: Ed. Unesp, 1999.p. 24.

    [68] Magee, Bryan. Histria da Filosoa. So Paulo: EdiesLoyola, 2001. p. 83

    [69] Durant, Will. A Histria da Filosoa. So Paulo: NovaCultural, s/d. ISBN 8535106952. p. 247

    [70] Como Tudo Funciona

    [71] Solomon, R. C; Higgins, K. M. The Big Questions. pp.135s.

    [72] Cooper, D. E. Filosoas do Mundo. p. 371.

  • 19

    [73] Russell, B. Histria do Pensamento Ocidental. pp. 442s.

    [74] William Outhwaite (ed.), The Blackwell dictionary of mo-dern social thought. p. 44.

    [75] Hegenberg, L. Filosoa moral. V. 1 (tica). Rio de Ja-neiro: E-papers, 2010. ISBN 8576502607. pp. 115-22.

    [76] Solomon, R. C. & Higgins, K. M. The big questions:a short introduction to philosophy. 8th ed. ISBN9780495595151. p.66

    [77] Raeper, W; Smith, L. Introduo ao estudo das ideias: re-ligio e losoa no passado e no presente. 2. ed. SoPaulo: Loyola, 2001. ISBN 8515015684. pp. 116-20.

    [78] Soames, Scott. Philosophical analysis in the twentieth cen-tury. Princeton: Princeton University Press, 2003. V. 2.p. 463

    [79] Glock, Hans-Johann. Dicionrio Wittgenstein. Rio de Ja-neiro: Jorge Zahar, 1998. ISBN 8571104409. p. 237(Verbete Lgica).

    [80] Galvo, Paulo. Positivismo Lgico, in Branquinho,Joo; Murcho, Desidrio; Gomes, Nelson Gonalves(orgs.) Enciclopdia de Termos Lgico-Filoscos. SoPaulo: Martins Fontes, 2006. pp. 577-80.

    [81] Bunnin, N.; Yu, J (eds.) The Blackwell dictionary of Wes-tern philosophy. Blackwell, 2004. Blackwell ReferenceOnline. Acesso em 28/03/2011.

    [82] Frohnen, Bruce, Jeremy Beer, and Jerey O. Nelson, ed.(2006) American Conservatism: An Encyclopedia Wil-mington, DE: ISI Books, pp. 870-875.

    [83] Frohnen, Bruce, Jeremy Beer, and Jerey O. Nelson, ed.(2006) American Conservatism: An Encyclopedia Wil-mington, DE: ISI Books, p. 870.

    [84] A Filosoa e seus usos: crtica e acomodao (tese dedoutourado de Marli Aparecida Pechula) diaadiaeduca-cao.pr.gov.br (2007). Visitado em 22 de abril de 2012.

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    BLACKBURN, Simon. Pense: uma introdu-o losoa. Lisboa: Gradiva, 2001. ISBN9789726627906.

    BUNNIN, Nicholas; TSUI-JAMES, E. P. (Orgs.)Compndio de Filosoa. 2. ed. So Paulo: Loyola,2007. ISBN 9788515030477.

    CHAU, Marilena. Convite Filosoa. 7. ed. 2.reimp. So Paulo: tica, 2000.

    COLCHETE, Eliane e MORAIS JUNIOR, LuisCarlos de. A formao da losoa contempornea.Rio de Janeiro: Litteris, 2014.

    DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Flix. O que aFilosoa? Trad. Bento Prado Jr. E Alberto AlonsoMuoz. Rio de Janeiro, 34, 1992.

    MURCHO, Desidrio. Filosoa em Directo. Lis-boa: Fundao Francisco Manuel dos Santos, 2011.

    NAGEL, Thomas. Que Quer Dizer Tudo Isto? Umainiciao losoa. Lisboa: Gradiva: 1995. ISBN9789726624219.

    PAIM, Antonio. Histria das Ideias Filoscas noBrasil. 2 ed. So Paulo, Edusp/Grijalbo, 1974.

    PAPINEAU, David (Org.) Filosoa: grandespensadores, principais fundamentos e escolas -loscas. So Paulo: Publifolha, 2009. ISBN9788579141058.

    Antologias

    BONJOUR, Laurence; BAKER, Ann. Filosoa:textos fundamentais comentados. 2. ed. Porto Ale-gre: Artmed, 2010. ISBN 8536321199.

    MARCONDES, Danilo. Textos Bsicos de Filoso-a: dos pr-scrticos a Wittgenstein. Rio de Ja-neiro: Jorge Zahar, 2000. ISBN 9788571105201.

    NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filoso-a: das origens Idade Moderna. Rio de Janeiro:Globo, 2005. ISBN 8525038997.

    VVAA. Os Filsofos atravs dos Textos: dePlato a Sartre. So Paulo: Paulus, 1997. ISBN8534909806.q=Discurso%20do%20M%C3%A9todo%20descartes

    Introdues histria da losoa

    DURANT,Will. AHistria da Filosoa. So Paulo:Nova Cultural, s/d. ISBN 8535106952.

    ONFRAY, Michel. Contra-histria da losoa 1:as sabedorias antigas. So Paulo: WMF MartinsFontes, 2008.

    Idem. Contra-histria da losoa 2: o cristi-anismo hedonista. So Paulo: WMF MartinsFontes, 2008.Idem. Contra-histria da losoa 3: os liberti-nos barrocos. So Paulo: WMF Martins Fon-tes, 2009.Idem. Contra-histria da losoa 4: os ultrasdas Luzes. So Paulo: WMF Martins Fontes,2009.

    KENNY, Anthony. Uma Nova Histria da Filoso-a Ocidental. So Paulo: Loyola, 2008. 4v. ISBN9788515035267.

  • 20 10 LIGAES EXTERNAS

    MAGEE, Bryan. Histria da Filosoa. So Paulo:Edies Loyola, 2001. ISBN 8515019299.

    REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. Histria daFilosoa. So Paulo: Paulus, 1990. 3v. ISBN8505010760.

    RUSSELL, Bertrand. Histria do Pensamento Oci-dental. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. ISBN8500013559.

    Obras de referncia

    BLACKBURN, Simon. Dicionrio Oxford de Fi-losoa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2010. ISBN8571104026.

    BRANQUINHO, Joo; MURCHO, Desidrio;GOMES, Nelson Gonalves (orgs.) Enciclopdia deTermos Lgico-Filoscos. So Paulo: Martins Fon-tes, 2006. ISBN 8533623259.

    FERRATER-MORA, Jos. Dicionrio de Filoso-a. 2. ed. So Paulo: Loyola, 2004. 4v. ISBN8515018691.

    10 Ligaes externas Portal de Filosoado Departamento de Filosoa da

    Universidade Federal de Santa Catarina. Portal de Filosoa Veritas Revista de Filosoa da PUCRS Stanford Encyclopedia of Philosophy The Internet Encyclopedia of Philosophy

  • 21

    11 Fontes, contribuidores e licenas de texto e imagem11.1 Texto

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