VARIAÇÃO FENOTÍPICA EM FRUTOS DE DOZE · PDF fileVARIAÇÃO...

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VARIAO FENOTPICA EM FRUTOS DE DOZE INTRODUES DE CUBIU (Solanum sessiliflorum DUNAL) AVALIADAS EM MANAUS, AM, BRASIL. (*)

Danilo F. da Silva Filho (**)

Charles R. Clement (**)

Hiroshi Noda (**)

RESUMO

0 cabia fcoi domz&ticado pzlo amznlndioi, tzm potzncial econmico conidznvzl

, a agKoindA&iia modz/ina. Ftiutoi dz do zz intxodaoz de. cabia fionam avaliado* zm

ManauA / dztzAminoA O d^QAmaA znt/iz zi>taA: {fiHmato, dimznAz e caAaXzfiZA dz im-portncia zcon.dmi.ca {zpzuAa da polpa, volume, do 6uco, giau Btiix). ExiAtz conidzfi-

vzl variao zntAz ai inXxodacozt, pana todo o ca/uxtznzt, avaliado, zpzcialmzntz toma

nko numzro dz fasiuto. A concentrao dz lidoA t>ol.vzJ> totaii, variou dz 4 a 6 o

uoume dz &aco dz 10 30 ml em jjaut* dz 40 !90 g. Conclut-z que QAtat, intJiodu.-ozt> pot>uem vartao ampla qaz pzrmitz progrehio gznztico rpido no mzlhoramznto para

qualquer ^inalidadz agroinduotrtat.

INTRODUO

Nas ltimas dcadas, com o surgimento de tecnologias agrcolas modernas, o homem

vem substituindo as variedades locais e primitivas por variedades melhoradas (Harlan,

1975). Na Amaznia, a colonizao de novas terras por migrantes de outras regies e a

mudana de hbitos alimentares so fatores que esto promovendo uma rpida e profunda

transformao nos recursos genticos indgenas (Clement et al . , 1 9 8 2 ) . Esta transforma

o tipificada pela eroso gentica das espcies indgenas, tanto das variedades pri-

mitivas como das espcies afins destas. Com a finalidade de conservar algumas espcies

nativas e, por meio do melhoramento gentico, obter variedades de interesse agroindus-

trial, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaznia (INPA) tm feito

colees de germoplasma de diversas espcies na bacia Amazonica, entre as qua i s inclui-se

o cubiu.

(*) Financiado pelo convnio POLAMAZNIA/CNPq/INPA e INPA/MCT. (**) Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia - , Manaus - AM.

ACTA AMAZNICA, 19(0nico):9 -18. 1989- 9

http://zcon.dmi.ca

O cubiu (Solanum sessi1 iflorum Dunal) uma espcie originria da Amaznia Ociden

tal que foi domesticada pelos amerndios (Schultes, 1984). Esta espcie um componen-

te da seo "Lasiocarpa", da famlia Solanaceae, de forma que filogeneticamente rela-

cionada com a naranjilla (Solanum quitoense Lam.) (Whalen et ai., 1981). 0 cubiu pode

ser cultivado em diversos tipos de solos, a altitudes variando entre 2 e 1200 m, comply

viosidade entre 2000 e 4000 mm, de preferncia bem distribuda (Benza & Rodriguez, 1977)

Os frutos podem ser utilizados em diferentes formas alimentcias, tais como: in natura,

refrescos, sucos, gelias, compotas, tortas, etc (Pahlen, 1977). Quanto ao valor nutri-

tivo, o cubiu rico em ferro (1,5 mg /100g) e niacina ( 2 , 3 mg /100g) (INN, 1 9 4 5 ) .

Pahlen (1977) avaliou 35 introdues de cubiu de diversas partes da Amazonia. Hien

ze (1983) avaliou algumas introdues em Costa Rica. Salick (1987) iniciou uma srie de

estudos muito importantes no Peru, incluindo fitotecnia, melhoramento e potencialidade

agroindustrial, No momento, o INPA dispe de uma nova coleo que conta com 46 introdu_

es. Esta coleo est em fase de caracterizao.e avaliao. 0 presente trabalho re

lata os primeiros resultados de interesse para o melhorista.

MATERIAL MTODOS

As doze introdues de cubiu utilizadas no experimento vieram de diversas partes

da Amaznia (Fig. l). 0 ensaio de avaliao foi instalado na Extao Experimental de

Hortalias, do INPA, localizada no km 14 da AM 010. 0 solo um Podzol VermeIho-Amare-

lo, A fraco, textura arenosa, sob relevo suave ondulado, com um perfil profundo domina-

do por cores pardo escuro na superfcie e pardo amarelado a amarelo em profundidade (G.

Ranzani, com. pess.). 0 clima da regio classificado com "Afi", no esquema de Kppen,

com pluviosidade mdia anual de 2.400 mm (poca chuvosa de janeiro a maio) e temperatura

mdia anual de 26'C (Ribeiro, 1976).

A semeadura foi realizada no dia 11.11.86, com a germinao ocorrendo nos prximos

12 dias. No dia 21.01.87, efetuou-se a repicagem das plantas para sacos de polietileno,

onde permaneceram por um ms. No dia 21.02.87 foram transplantadas ao campo, sem aduba_

o na cova, num espaamento de 1,0 1,0 m. Aos 30 e 60 dias aps o transplante apli-cou-se 10 g/planta de Uria (45 ) , em cobertura. Aos 180 dias aps a semeadura ini-ciou-se a colheita dos frutos, que se prolongou por 90 dias. Os caracteres avaliados

so apresentados no Quadro I. Para a avaliao dos formatos dos frutos, utilizou-se os

formatos adotados por Esquinas-Alcazar (1981) em tomate (Lycopersicon esculentum) (Figu

ra 2). Simultaneamente, calculou-se a razo dos dimetros transversal/longitudinal,

conforme Morera (1981).

0 grau Brix foi obtido atravs do ndice refratomtrico no laboratrio de Tecnolo

gia de Alimentos do INPA. 0 volume de suco (ml/fruto) se refere ao suco retirado da pla

centa coado em peneira. Este suco foi coletado por ter um sabor mais agradvel que o

extrado da polpa.

0 delineamento experimental foi de blocos casualizados, com 12 tratamentos (as i

10 Silva F. et al.

trodues) e 4 repeties. As parcelas foram constitudas de 20 pl antas d i st r i bu idas em

quatro fileiras, tendo seis plantas teis que foram somadas para tirar a mdia. Usou-se

uma anlise de varincia para detectar diferenas entre tratamentos e a Diferena Mni-

ma Significativa a priori para orden-las (Sokal & Rolf, 1969). Estudou-se as relaes

entre os caracteres com uma anlise de correlaes de Pearson (Sokal & Rolf, 1969) e as

relaes genticas entre as introdues com a anlise discriminante (Pimentel,1979) co-

mo aplicada por Clement (1986) em pupunha (Bactris gasipaes).

RESULTADOS DISCUSSO

Nos Quadros 2 e 3 se apresenta as mdias por introduo dos descri tores de produ-

o econmica e dos descritores das dimenses do fruto, respectivamente. Os testes F das

anlises de varincia dos descritores peso dos frutos, nmero de frutos, espessura da

polpa, dimetros longitudinal e mximo transversal e razo dos dimetros, foram altamen

te significativos em todos os casos, e a comparao das mdias pela 0 i f erena Mn i ma S i g_

nificativa mostrou pelo menos 6 grupos diferentes. As diferenas em peso dos frutos

especialmente evidente, variando desde 3^ a 192 gramas.

0 rendimento estimado com base no nmero e peso mdio dos frutos variou de 24 a

105 t/ha, sendo que o maior rendimento foi da procedncia de Benjamin Constant. Os ren

dimentos menores correspondem com os menores de Pahlen (1977) obtidos na mesma rea ex-

perimental mas com o uso de adubo orgnico e mineral. Isto sugere que estas introdues

poderiam ser menos exigentes em nutrientes, fator altamente relevante para regio. Os

maiores rendimentos foram a metade dos obtidos por Pahlen, sugerindo que estas introdu-

es dao maiores respostas aos tratamentos culturais. Mesmo assim, a falta de adubao

orgnica e a pouca adubao mineral ainda permitiu rendimentos altamente satisfatrios.

Supe-se que as introdues com frutos de maior tamanho so mais avanados no pro

cesso de domesticao, pois Kerr et a t . (1980) demonstraram que os amerndios da Amaz-

nia ocidental tem crenas que direcionam a seleo para o tamanho dos frutos durante a

domesticao. As introdues com frutos de maior peso so procedentes de regies geo-

grficas distintas, sugerindo que o cubiu tenha sido levado desde seu centro de diversj_

dade na Amaznia ocidental a estes locais em tempos recentes.

A espessura da polpa , 1ogicamente,reiacionada com o tamanho do fruto. No entanto,

parece factvel sei ec ionar tipos de fruto oara suco , com ool pa menos espessa e ma i or vol ume de

suco, e outros para compota eou tros produtos i ndus t r i a 1 i zve i s com pol pa ma i s espessa e menor

volume de suco. Em geral, os frutos de menor tamanho so mais indicados para suco,pois

tambm apresentam graus Brix superiores. As introdues de Yurimaguas (Peru) e Itacoa-

tiara (Brasil) apresentaram graus Brix de 6.0, nvel ate agora indito nesta espcie.

0 formato do cubiu especialmente varivel. A razo dos dimetros varia de 0.8,

que um fruto comprido, a 1 . 2 5 , que um fruto muito achatado. Em termos de industria

1 izao do fruto, este deveria ser selecionado para fornato regular e redondo, pois se-

riam mais fceis de despolpar e tratar mecanicamente. Na indstria caseira o formato

Variao fenotpica ... 11

seria menos importante que para a agroindstria.

No Quadro k se apresenta os coeficientes de correlao entre os descritores quan_

ttativos para estas 12 introdues de cubiu. Observa-se que as dimenses do fruto so

correlacionadas com o peso do mesmo e que a espessura da polpa correlacionada com o

dimetro transversa] o fruto. Estas correlaes foram esperadas e no existe nenhuma

correlao negativa que pudesse sugerir problemas para um programa de melhoramento de

qualquer carter dimensional do fruto.

Pelos resultados da anlise diseriminante , pode-se concluir que a anlise de vari

incia mltipla foi altamente significativa, demonstrando que pelo menos uma introduo

completamente diferente das outras quando se usa o conjunto de descritores mtricos