PSICÓLOGO ESCOLAR, ORIENTADOR EDUCACIONAL Ε .Os entrevistadores foram cinco alunos de Psicologia

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  • PSICLOGO ESCOLAR, ORIENTADOR EDUCACIONAL ASSISTENTE PEDAGGICO NA ESCOLA: UM TRABALHO EM COOPERAO?

    Vera Lcia Sobral Machado* Ana Paula M. Xavier**

    Guiomar R. Papo** Maria Letcia Wierman**

    Valria Castaldelli** Valria Domingues**

    Resumo

    A figura do Psiclogo Escolar parece estar surgindo com maior intensidade no cenrio educacional brasileiro. Observa-se um aumento na procura desse profissional, pelas diferentes Instituies escolares, bem como movimentos de sindicatos e conselhos no sentido de coordenar discusses a respeito do papel a ser executado por este profissional e atuaes junto a redes de ensino municipais e estaduais que esto levando contratao desse profissional Frente a esse fato torna-se interessante investigar at que ponto esse novo cargo entra em conflito com os j existentes, principalmente o Orientador Educacional Realmente, embora teoricamente as atribuies de cada profissional estejam definidas, na prtica tem-se observado uma confuso de papis devido a uma dificuldade de delimitao do campo de atuao de cada um deles. Assim sendo, o objetivo desse trabalho foi constatar at que ponto essa dificuldade existe, e se gera conflito ou cooperao em termos de realizao do trabalho. Para tanto, foi feito inicialmente um levantamento das escolas estaduais, municipais e particulares registradas na Delegada Regional de Ensino de Ribeiro Preto, nas quais havia um desses profissionais. A partir desse levantamento foram visitadas escolas onde existia um ou mais destes profissionais. Em cada uma das escolas visitadas foram realizadas entrevistas e os dados obtidos foram trabalhados em termos de contedo das entrevistas, analisando-se os seguintes pontos: formao profissional, colocando em evidncia a relao dessa formao com a atuao hoje e os problemas dessa atuao; dificuldades apontadas com relao atuao e limitaes percebidas; expectativas do trabalho profissional existente na situao em relao ao outro profissional no existente; o interesse entre os profissionais nas situaes em que o trabalho conjunto.

    * - Docente da Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras de Rib. Preto - USP. * * - Ex-alunas do Curso de Psicologia da FFCLRP - USP

  • Introdufio "A educao no desempenhar o papel que dela se espera, ajudar

    os homens a viver e a sociedade a se desenvolver - seno ao preo de uma srie de tomadas de conscincia, de modificaes, de concesses" (Gatti, Bernardes e Mello, 1974). De acordo com estes autores, estas mudanas implicam na ao de elementos tcnicos, que por sua posio na instituio poderiam atuar como agentes modificadores: o Orientador Educacional, o Assistente Pedaggico( ) e o Psiclogo Escolar.

    Alguns estudos sobre a atuao desses profissionais mostram, no entanto, as dificuldades que eles enfrentam e so unnimes em citar que muitas delas advm de uma definio precria dos papeis a assumir e de condies inadequadas de formao e exerccio profissional.

    A definio precria dos. papis tem levado pesquisadores a investigaes visando um melhor conhecimento da realidade e a busca de esclarecimentos a respeito. Essas pesquisas tm focalizado, em geral, a percepo dos diferentes profissionais sobre seus papis como tambm a expectativas de outros profissionais da escola sobre os mesmos.

    Macedo e Machado (1971) coletando informaes sobre expectativas de professores e diretores sobre o papel do Psiclogo Escolar, verificaram que professores mais jovens parecem encar-lo como um pressionai que ir auxili-los nos problemas da situao escolar, enquanto que os professores mais velhos tendem a apontar a funo de avaliador como aquela a ser desempenhada. Goldberg (1974) analisou a concepo do papel do Psiclogo Escolar tendo como objetivo investigar como esse profissional delimita as suas funes numa situao ideal de trabalho na qual a equipe tcnica seria constituda, tambm, de um Assistente Pedaggico e um Orientador Educacional. A hiptese dessa pesquisa foi a de que existe um consenso entre os Psiclogos Escolares sobre a funo preventiva que devem exercer, atuando sobretudo junto ao professor, quando em servio. Submetidos anlise, esses dados permitiram no s confirmar a hiptese formulada como detectar a existncia de uma concepo alternativa do papel de Psiclogo Escolar, enquanto "facilitador na soluo de problemas escolares".

    Sobre o Orientador Educacional, Goldberg (1974) realizou uma pesquisa onde foram identificadas duas funes bsicas do Orientador Educacional: a de monitor e a de assessor, correspondendo, respectivamente, forma de interveno direta e indireta junto ao orientando. Como monitor ele

    (1) . Segundo estes autores o Curso de Pedagogia estruturado de forma a oferecer como uma das habilitaes a Superviso Pedaggica que tem por finalidade - formao do Supervisor Pedaggico, Assistente pedaggico ou Orientador Pedaggico. "No existe um uso padronizado para esses termos. Cada escola ou sistema adota o que lhe parece mais conveniente. Nas escolas particulares, por exemplo, fala-se em geral de Orientador Pedaggico. Nos sistemas estadual e municipal chama-se de Assistente Pedaggico o tcnico que atua na escola, sendo que no municipal encontramos tambm o cargo de Orientador Pedaggico que preenchido pelo mesmo tipo de tcnico, s que atuando em nvel de sistema e no de unidade escolar p. 7"

  • deve encaminhar o aluno, quando necessrio, a servios especializados da comunidade escolar ou fora desta e trabalhar na adaptao de alunos indisciplinados, problemticos ou desajustados. Essas so funes de cunho corretivo. Alm dessas, so tambm funes do Orientador Educacional como monitor, manter um fichrio atualizado de oportunidades educacionais e profissionais existentes; dar aula de informao profissional aos alunos, organizar visitas e excurses que completem a vinda escola de profissionais de vrias reas a fim de debaterem com os alunos as respectivas profisses e encaminhar alunos para pequenos estgios que lhes permitam vivenciar certos aspectos de profisses diversas.

    Como assessor o Orientador ser um especialista psico-pedaggico, apesar de no se ter chegado a um consenso geral quanto as funes do assessor. Em termos psico-pedaggicos pode-se afirmar que o Orientador Educacional quando atuar como assessor ou monitor est funcionando tambm como planejador de contingncias de aprendizagem, o que implica na idia de que ele deve ser um avaliador constante de seu prprio desempenho reforando-o quando se mostra efetivo e modificando-o caso contrrio.

    De acordo com os resultados dessa pesquisa tambm foi constatado que a funo de monitor foi mais valorizada, especialmente no que diz respeito Orientao Vocacional.

    A respeito do Assistente Pedaggico Gatti, Bernardes e Mello (1974) realizaram uma pesquisa para obter um referendai mais definido para a compreenso da sua funo, a partir de dados concretos levantados entre os prprios Assistentes Pedaggicos em exerccio, diretores e professores que com eles trabalhavam, bem como alunos de Faculdade de educao que cursavam habilitao em superviso. Partindo da hiptese de que existem aspectos diferenciados que compem a percepo dessa funo, caractersticos para cada um desses grupos, constatou-se atravs da anlise dos dados que h um ncleo comum na percepo da funo do Assistente Pedaggico entre os quatro grupos. Esse ncleo se refere atividade de coordenao e orientao do planejamento do ensino na escola e ao controle e avaliao de sua execuo. Mas, os quatro grupos diferem significativamente quanto maneira pela qual o Assistente Pedaggico deve desempenhar essa atividade, alm de diferirem muito quanto valorizao das diferentes atividades que apontam como mais, ou menos, pertinentes a essa funo.

    Verifica-se por estes dados que embora haja uma percepo de papis a serem assumidos que coincidem, muitas vezes, com as legislaes vigentes, no h ainda uma explicitao precisa dos mesmos na prtica. Alm disso o exame da teoria que informa as modalidades de trabalho dos trs profissionais mostra que embora o foco de ateno de cada um tenha limites, elas se tocam e se sobrepem (Gatti e col., 1974). Conforme apontam esses autores, a ambiguidade existente torna difcil uma delimitao de papis, o que na prtica dificulta que fiquem claras as expectativas em relao a cada um desses tcnicos.

  • Por tudo o que foi visto e na tentativa, ainda, de estudar a caracterizao das funes exercidas na prtica por esses diferentes tcnicos em educao foi proposto o presente trabalho.

    Foram colocados como objetivos:

    a) delinear, a partir das informaes desses profissionais sobre a sua prtica cotidiana, as funes exercidas, b) analisar esses dados levando em conta a realizao do trabalho em equipe ou individualmente, c) investigar a necessidade, que esses diferentes profissionais manifestam, do trabalho em equipe.

    Sujeitos

    Foram entrevistados 18. profissionais: 5 Psiclogos Escolares; 9 Orientadores Educacionais e 4 Assistentes Pedaggicos de escolas estaduais e particulares da cidade de Ribeiro Preto. Esses foram os sujeitos selecionados, nas condies estabelecidas no trabalho e que se dispuseram a participar da pesquisa.

    Esses profissionais pertenciam a 10 escolas com a seguinte equipe tcnica: duas escolas possuam somente Orientador Educacional; duas escolas possuam somente Psiclogo Escolar; 3 escolas possuam Orientador Educacional e Assistente Pedaggico, e 2 escolas com Orientador Educacional e Psiclogo Escolar e uma escola com os 3 profissionais.

    A Tabela 1 mostra a caracterizao dos sujeitos de acordo com equipe da escola, tipo de escola, clientela atendida e anos de experincia na funo.

    O exame da Tabela 1 permite evidenciar que os cinco psiclogos entrevistados atuam em escolas particulares, sendo que dois trabalham com alunos de segundo grau e pr-universitrio e os demais com alunos de primeiro grau e maternal. O tempo de formao desses profissionais varia de um a cinco anos e o tempo de experincia na funo varia de se