EFEITOS DO FATOR DE CRESCIMENTO DE FIBROBLASTO .de operações em decúbito dorsal e antissepsia

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Medeiros et al. Efeitos do Fator de Crescimento de Fibroblasto Bsico

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Vol. 31 - N 1, Jan. / Fev. 2004Artigo Original

Vol. 31 - N 1: 21-26, Jan. / Fev. 2004Rev. Col. Bras. Cir .

EFEIT OS DO FATOR DE CRESCIMENTO DE FIBROBLAST OBSICO (FCF) NA CICATRIZAO DE ANASTOMOSES DOESFAGO

EFFECTS OF FIBROBLAST GROWTH FACTORBETA (FCF) ON ESOPHAGEALANASTOMOSIS HEALING

Aldo da Cunha Medeiros, TCBC-RN1

Henrique Jos da Mota, TCBC-RN 2

Tertuliano Air es Neto, TCBC-RN2

Antnio Medeiros Dantas Filho, TCBC-RN2

Lidiane Maria de Brito Macedo3

Nara Medeiros Cunha de Melo3

RESUMO: Objetivo: Os fatores de crescimento so substncias moduladoras do processo de cicatrizao. Ofator de crescimento de fibroblastos bsico (FCF) liberado pelas plaquetas, macrfagos e pelos prpriosfibroblastos, estimulam a proliferao celular, a produo de colgeno e de outros elementos da matriz celular,favorecendo o processo da cicatrizao, mesmo em situaes adversas, como diabetes e uso decorticosterides. O presente estudo objetivou determinar a influncia do FCF no processo de cicatrizaode anastomoses esofageanas em modelo de experimentao animal, avaliando-se a resistncia presso,formao de tecido de granulao e deposio de colgeno. Mtodo: Foram estudados dois grupos A e B,ambos com 10 ratos de linhagem Wistar, separados de forma aleatria, todos submetidos seco e anastomosedo esfago por via abdominal. Nos animais do grupo A, foi feita aplicao tpica na linha de sutura de 10ngde FCF. No grupo B (controle) foi aplicado igual volume de soluo salina. Os animais foram sacrificados no7 dia, o esfago ressecado para teste de resistncia da anastomose, estudo qualitativo do aporte de clulasinflamatrias, da angiognese e quantificao do colgeno na zona da anastomose, atravs de sistema digital.Resultados: A densidade mdia dos parmetros histolgicos do grupo A foi 9095,511284,5, maior que nogrupo B, que teve densidade 7162,41273,19 (p=0,013). A resistncia da anastomose do grupo A teve a mdia21018,88 mmHg, significativamente maior que no grupo B, que atingiu o valor 15729,55 mmHg (p=0,0024).Concluso: Este estudo concluiu que o FCF atuou melhorando a cicatrizao e aumentando significativa-mente a resistncia de anastomoses do esfago realizadas em ratos.

Descritores: Cicatrizao de feridas; Fator 2 de crescimento de fibroblasto; Colgeno; Esfago; Anastomose cirrgica.

1. Professor Adjunto, Doutor em Cirurgia, Chefe do Ncleo de Cirurgia Experimental e da Disciplina de Tcnica Operatria-UFRN;Pesquisador nvel I do CNPq.

2. Professor do Departamento de Cirurgia-UFRN; Aluno do Programa de Ps-Graduao nvel doutorado.3. Alunos bolsistas de Iniciao Cientfica PIBIC-CNPq.

Recebido em 04/09/2002Aceito para publicao em 10/12/2002

Trabalho realizado no Ncleo de Cirurgia Experimental-UFRN; Apoiado pelo CNPq.

INTRODUO

A cicatrizao de feridas um processo con-tnuo e ordenado de coagulao, inflamao e reparo,que envolve uma srie de fatores de crescimento. Eles

regulam a infiltrao inflamatria, proliferao celu-lar, a ativao e interferncia na cicatrizao das fe-ridas, na dependncia do fator envolvido1. A respostaimediata a qualquer dano tecidual a formao deum cogulo de fibrina e ativao plaquetria2. As

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plaquetas, ao se desgranularem, tambm liberamcitocinas e Fator de Crescimento de Fibroblastos(FCF) que, atuando nos tecidos lesados, promove mi-grao e proliferao, resultando em uma respostainflamatria local. Neutrfilos, linfcitos e macrfagosso as clulas especificamente envolvidas nesta in-flamao. Os macrfagos produzem FCF, que esti-mula a proliferao de fibroblastos e a formao decolgeno. Os fibroblastos tambm liberam FCF paraefetivar a renovao do colgeno depositado noferimento, promover a contrao da ferida e aumen-tam a sntese de proteoglicanos, componentes damatriz extra-celular, por at seis meses aps o danotecidual3. A formao da matriz e a fase de remode-lao tambm dependem do FCF, ativado pelas clu-las endoteliais e dos epitlios, contribuindo igualmentecom a angiognese, reepitalizao e proliferao ce-lular. Os fibroblastos e as clulas endoteliais liberamFCF que ajudam na coordenao dos estgios finaisda cicatrizao3,4.

Duas formas de fator de crescimento defibroblastos so conhecidas: a alfa ou cida (FCF-) e a beta ou bsica (FCF-). So diferentes ape-nas quanto ao pH timo de atuao destas substn-cias, sendo o beta mais ativo nos fenmenos da ci-catrizao. Estudos in vitro comprovaram que osFCF tm propriedades angiognicas5,6, mitognicas7,estimulam a diferenciao celular4, induzem a for-mao dos componentes da matriz extra-celular7 epromovem a estruturao de tecidos em reparo5. Napele, foi demonstrada uma melhora nas proprieda-des biomecnicas de retalhos aps aplicao deFCF8. Feridas em animais diabticos, em uso decorticosterides e na presena de infeco, tmapresentado aumento da angiognese, proliferaode fibroblastos e deposio de colgeno significati-vamente mais satisfatrios que nos controles. Estu-dos clnicos em que o FCF foi usado em lceras cr-nicas de decbito mostraram resultadossatisfatrios9.

O esfago caracteriza-se por ser um rgode difcil manipulao cirrgica e que est muitofreqentemente associado a complicaes comofstulas e deiscncias de anastomoses, que compli-cam com infeces graves. Essa propenso s com-plicaes se d pela irrigao sangnea segmentar edeficiente, disposio predominantemente longitudinaldas fibras musculares de sua parede, a ausncia deserosa, problemas da tcnica operatria, entre ou-tros10. Dados da literatura revelam incidncia de

fstulas aps esofagectomia desde 15,5%11 at 54%12,caracterizando as anastomoses esofageanas como dealto risco.

Tomando por base os dados acima, foi rea-lizado estudo experimental com o objetivo de tes-tar a ao do FCF- em aplicao tpica emanastomoses do esfago, observando-se os poss-veis benefcios do fator na evoluo da cicatriza-o do rgo. Foi avaliada sua ao quanto re-sistncia presso, formao de tecido degranulao, angiognese e deposio de colgenona zona de anastomose.

MTODO

Foi utilizado o Fator de Crescimento deFibroblasto de reao bsica (FCF-) estabilizado emheparina, humano, recombinante, de procednciaSIGMA. Foram usados 20 ratos da linhagem Wistarpesando 27517g, separados aleatoriamente em doisgrupos: A (n=10) e B (n=10). Observados em gaiolasindividuais, com controle de temperatura, partculas eciclo de 12 horas claro-escuro, durante todo o experi-mento receberam gua e alimento Labina-Purinaad libitum. No dia anterior operao os animaispermaneceram 12 horas recebendo apenas gua.Aps anestesia com pentobarbital sdico, na dosede 20 mg/Kg, por via intraperitoneal, foi feitaepilao da regio abdominal, conteno na mesade operaes em decbito dorsal e antissepsia comPVPI 1%. Uma laparotomia mediana de 4 cm apartir do apndice xifide deu acesso ao esfago,que foi clampeado com pina de Satinsky,exteriorizado, seccionado transversalmente eanastomosado com fio de polipropineno 6-0 em pon-tos simples separados, com auxlio de microscpiocirrgico. Nos animais do grupo A foi feita a aplica-o tpica na linha de sutura de 10ng de FCF- emveculo constitudo de uma preparao viscosa eaderente segundo a tcnica utilizada por Slavin etal13. Nos animais do grupo B (controle) foi aplicadoo mesmo volume de soluo salina sobre as suturas.O abdome foi fechado com nylon 4-0 em dois planosde sutura e no 7 dia de observao os animais rece-beram dose letal de anestsico. O esfago foi res-secado para realizao de teste de resistncia daanastomose presso, de acordo com tcnica pre-viamente descrita14. Feito o teste, a zona deanastomose foi avaliada atravs de examehistolgico.

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As peas foram fixadas em formol 10% por48 horas, processadas e coradas com hematoxilina-eosina e tricrmio de Masson. A anlise foi feita atra-vs de microscopia ptica, num microscpio Olympusmodelo BX50, utilizando-se o aumento de 200x, sen-do as imagens captadas atravs de cmera digital, eenviadas ao computador para estudo da densidademdia dos componentes histolgicos da cicatrizao,atravs do programa Image Pro Plus , verso 4.0para Windows . O aporte de fibras colgenas, declulas inflamatrias inerentes ao processo cicatricial,e a formao de neovasos, foram quantificados emunidades de densidade mdia. Foram analisados dezcampos microscpicos de cada lmina, num total deduas lminas por animal.

Os dados obtidos foram analisados atravsdo teste t de Student, utilizando-se o programa Bioestat2.0 windows, considerando-se significativo quando adiferena entre as mdias correspondeu a um p

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Figura 1 - Anlise histolgica computadorizada de anastomose do Grupo A. A: Submucosa esofgica com grande quantidade de fibrascolgenas (em azul). possvel observar um tecido de granulao abundante e numerosos vasos neo-formados. B:Colgeno seleciona-do em amarelo atravs do sistema digital, para efeito de quantificao da sua densidade mdia. 200x.

Figura 2 - Anlise histolgica computadorizada de anastomose do Grupo B. A: Acmulo de fibras colgenas na leso cirrgica esofgica(em azul). B Colgeno selecionado em amarelo atravs do sistema digital, para efeito de quantificao da densidade mdia. Constata-semenor quantidade de colgeno que na figura 1, alm de menores quantidades de clulas inflamatrias e vasos neoformados.

Figura 3 Em A: Amostra da ferida operatria do esfago de animal tratado com FCF-, (grupo A) mostrando expressiva angiognese.B: rea cicatricial da parede esofagiana, com poucos vasos formados a partir do processo inflamatrio (grupo B).

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