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  • BIOLOGIA DA POLINIZAO SISTEMA REPRODUTIVO DE Passiflora coccinea AUBL. EM MANAUS, AMAZONAS, BRASIL 1 .

    Eliana Fernandez STORTI 2

    RESUMO - Foi estudada a biologia da polinizao e o sistema reprodutivo de Passiflora coccinea uma Passifloraceae comum na regio Amaznica, conhecida popularmente por maracuj-poranga ou tom-assu. Este estudo foi realizado em uma rea perturbada, na Estao Experimental de Silvicultura Tropical do INPA (0306'08" S, 5958'54" W), em agosto e setembro de 1999. Dados de morfometria, horrio de abertura e tempo de vida das flores foram obtidos. Diariamente foram observados os animais visitantes, o tipo de alimento procurado, horrio e frequncia das visitas s flores. Foram realizadas experincias sobre o sistema de reproduo, como tambm, observada a produo natural de frutos na rea. A flor de P. coccinea apresenta a sndrome da ornitofilia pois tem antese diurna, vermelha, no possui odor e apresenta nctar em abundncia. Os beija-flores Amazilia sp. e Phaethornis superciliosus foram considerados seus polinizadores. Duas espcies de Hymenoptera c duas de Lepidoptera foram consideradas "ladras de plen" e "ladras de nctar", respectivamente, pois no contactam a superfcie estigmatfera. O sistema de reproduo desta espcie de maracuj a xenogamia visto que no foram produzidos frutos por apomixia e por autogamia. A taxa natural de produo de frutos aumentou de 1 5 % para aproximadamente 5 4 % com a realizao de polinizaes manuais.

    Palavras-chave: beija-flores, biologia floral, Passifloraceae.

    Pollination Biology and Breeding System of Passiflora coccinea Aubl. in Manaus, Amazonas, Brazil.

    ABSTRACT Pollination biology and breeding system of Passiflora coccinea, a Passifloraceae common in the Amazonian region, popularly known as maracuj-poranga or tom-assu, were studied in a clearing at the INPA's forestry experimental station (0306'08" S, 5958'54" W) in August and September 1999. Data were obtained on floral morphology, blooming time and life span of the flower. Visiting animals, kind of foods taken, visiting time and frequency were observed daily. Experiments were carried out on the breeding system and the natural production of the fruits in the area was noted. The flower of P. coccinea presents a syndrome of the ornithophily since it has diurnal anthesis, is red, does not possess any odour, and presents large amounts of nectar. The hummingbirds Amazilia sp. and Phaethornis superciliosus were considered to be its pollinators. Two species of Hymenoptera and Lepidoptera were considered to be pollen and nectar "robbers", respectively, since they did not touch the stigma surface. Xenogamy is this maracuj species' breeding system, since fruits were not produced through autogamy and apomixis. Natural fruit production increased from 15 to nearly 54 % when hand pollination was performed.

    Key-words: flower biology, hummingbirds, Passifloraceae.

    Introduo

    A famlia Passifloraceae apresenta aproximadamente 600 espcies e 20 gneros de distribuio tropical e subtropical, principalmente

    nas Amricas e frica. O nico gnero comercialmente importante da famlia Passiflora, o qual apresenta algumas espcies que so cultivadas pelos seus frutos comestveis ou como plantas ornamentais (Heywood, 1985).

    1 Trabalho desenvolvido durante o curso BOT 60 - Biologia Reprodutiva do INPA, de 16 a 30/08/99. 2 Coordenao de Pesquisas em Ecologia - INPA. storti@inpa.gov.br

    ACTA AMAZNICA 32(3): 421-429. 2002. 421

    mailto:storti@inpa.gov.br

  • Passiflora coccinea Aubl. uma espcie conhecida popularmente por maracuj-poranga (Pio Corra, 1978) ou tom-assu. Ela ocorre nas Guianas, Venezuela, Peru, Bolvia e Brasil (Amaznia) . Produz frutos prontamente quando polinizada manualmente e estes frutos se tornam mais atrat ivos sendo apreciados, pr incipalmente , na Guiana e em Guadalupe (Vanderplank, 1996).

    A polinizao de espcies de Passiflora foi estudada por Sazima & Sazima (1978; 1987) com P. mucronata (quiropterfila), Ameia Garcia & Hoc (1998) com P. foetida (melitfila) e, Sazima & Sazima (1989) com P. edulis (melitfila), cuja presena de Trigona spinipes, abelha considerada pi lhadora para esta espcie de maracuj, causa uma reduo nas visi tas das abelhas polinizadoras Xylocopa suspecta e X. frontalis, d iminuindo assim, a produo de seus frutos. Da Silva et a. (1999) es tudando P. edulis verificaram que o nmero de flores em antese e os fatores cl imticos infuenciam a atividade polinizadora e a densidade populacional das abelhas Xylocopa.

    O objetivo deste trabalho conhecer a biologia floral e o sistema reprodutivo de Passiflora coccinea, por ser uma espcie de ampla distribuio na Amaznia brasileira e por seu potencial como planta comestvel.

    Material e Mtodos

    Este estudo foi realizado em uma rea perturbada na Estao Experi-

    mental de Silvicultura Tropical do INPA, no km 44 da rodovia BR174 ( 0 3 s 0 6 ' 0 8 " S, 59 2 58 '54" W; a-37 metros do nvel do mar). O perodo de estudo foi de agosto a setembro de 1999, sendo que a temperatura variou de 20,5 a 33 QC, com mdia de 26 S C e umidade entre 52 a 95 %, com mdia de 78 %.

    Dez flores de Passiflora coccinea foram utilizadas para obteno dos dados de morfometria e seus ovrios examinados para contagem do nmero de vulos. Amostras da planta foram coletadas para herborizao e identificao. O horrio de antese das flores e o seu tempo de vida foram observados. A receptividade do estigma foi observada com lupa manual, de 10 de aumento usando-se gua oxigenada 3 %, segundo a tcnica de Arnold (1982).

    A concentrao de acares no nctar das flores de Passiflora coccinea foi obtida usando-se um refratmetro de bolso (Dafhi, 1992) e a concentrao de glicose no nctar foi verificada utilizando-se tiras reagentes Diastix, cf. Dra. Marlies Sazima com. pessoal.

    O teor de produo de nctar foi verificado utilizando-se microcapilares de 20 ml em 20 flores, das quais mediu-se o dimetro da corona. Para a converso de milmetros (mm) de nctar nos microcapilares em volume de nctar utilizou-se a seguinte frmula de Cruden & Hermann (1983):

    (a/b) c = d, onde, a = mm de nctar na pipeta; b = mm equivalente do volume; c = volume calibrado da pipeta; e, d = volume de nctar. Foram feitas lminas de plen de

  • algumas flores, para verificar a sua morfologia. Tambm se observou a porcentagem de gros de plen viveis utilizando-se o azul de algodo em lactofenol (Radford et ai, 1974) a cada hora, desde o momento da deiscncia das anteras at o fechamento das flores.

    A reflexo de raios ultra-violeta foi observada atravs do teste com hidrxido de amnia (Gertz, 1938) e com o uso de um aparelho com lmpada ultra-violeta.

    Diariamente eram observados os animais visitantes, o tipo de alimento procurado, horrio e freqncia das visitas s flores. Alguns visitantes fo-ram capturados com auxlio de um frasco matador contendo ter ou um pu e fixados seco para posterior identificao. Duas redes de captura de aves foram colocadas em locais prximos s flores de Passiflora coccinea com a finalidade de coletar os beija-flores visitantes, para melhor observao.

    Para as experincias sobre o sistema de reproduo de Passiflora coccinea utilizou-se sacos de fil de malha fina (< 1 mm). Para as experincias de autogamia espontnea, autogamia induzida, xenogamia interpopulacional , xenogamia intrapopulacional e apomixia foram utilizadas 37 flores recm abertas, nas quais o estigma estava receptivo; outras 37 flores foram apenas marcadas e utilizadas como controle. As flores utilizadas para a apomixia foram emasculadas. Todas as flores testadas receberam uma etiqueta numerada em ordem seqencial com

    a data e a experincia realizada. Para o teste de xenogamia interpopulacional foi usado plen de flores coletadas na margem da estrada, a aproximadamente 5 km de distncia da rea de estudo.

    Os frutos resul tantes das experincias sobre o sistema de reproduo de Passiflora coccinea fo-ram pesados, medidos e anotado o nmero de sementes formadas em cada um deles. Em outros quatro frutos coletados na rea de estudo realizou-se o mesmo procedimento.

    Foram contados, ao acaso, 50 ramos para se verificar a produo natural de frutos.

    Fotografias do local de estudo, da planta, flores, animais visitantes e de seus comportamentos durante as visitas s flores de Passiflora coccinea foram obtidas com o auxlio de uma mquina fotogrfica Asahi Pentax, com objetiva macro de 50 mm e com camera digital Canon PowerShot S100.

    Amostras da planta encontram-se depositadas no Herbrio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaznia c registradas com o nmero 199.796.

    Um exemplar de Heliconius burneyi encontra-se depositado na Coleo Entomolgica do INPA.

    Resultados e Discusso

    Passiflora coccinea possui brcteas ovais de 5,16 cm 0,54 de comprimento, cncavas, glandulosas na margem, vermelhas ou alaranjadas. Suas spalas (5) so linear-lanceoladas de 4,82 cm 0,24 de comprimento, vermelhas, cuculadas, carenadas no

  • dorso, carena terminada por uma arista. As ptalas (5) so lineares de 5,24 cm 0,19 e vermelhas. Anteras (5) de deiscncia , longitudinal , dorsifxas e versteis com fletes de 1,53 cm 0,16 de comprimento. O ovrio supero, ovide tomentoso, possui 3 estigmas com estiletes de 1,67 cm 0,16 de comprimento. Os ovrios das dez flores examinadas apresentaram uma mdia de 437 87,7 vulos. O androginforo tem 5,1 cm 0,17 de comprimento. A corona de es tamindios formada por filamentos que variaram da cor branca a vermelha com dimetro de 1,44 cm 0,10 (Fig. 1).

    A antese das flores se d por volta das 05:00 h, comeando a se fechar s 09:00 h. No momento da abertura as anteras j se encontram deiscentes. Os movimentos florais

    ocorrem de modo semelhante aos de P. mucronata, descritos por Sazima e Sazima (1978).

    A receptividade dos estigmas no facilmente percebida e co