Aulas 12 e 13 Introdução à Filosofia: Ética FIL028

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  • Aulas 12 e 13Introduo Filosofia: ticaFIL028

    http://www.introetica.ecaths.com

  • O Utilitarismo

    Jeremy Bentham John Stuart Mill

  • O Utilitarismo Clssico

    Teoria da maximizao do bem-estar, em que a noo de bem-estar hedonista.

    (hedon) = prazer

    Utilitarismo: teoria segundo a qual a ao correta aquela que maximiza a utilidade (isto , promove o maior grau possvel de prazer e o menor grau possvel de dor ou sofrimento) para todos seres sencientes, imparcialmente considerados.

  • O Utilitarismo ClssicoA teoria hedonista que est na base do utilitarismo clssico uma teoria metafsica sobre a natureza do valor.

    Segundo a teoria hedonista, a nica coisa que possui valor intrnseco positivo prazer (e a que possui valor negativo intrnseco dor ou desprazer).

  • O Utilitarismo ClssicoO Utilitarismo uma forma de consequencialismo: Consequencialismo: teoria segundo a qual a ao correta aquela que promove os melhores resultados ou consequncias para todos os seres sencientes, imparcialmente considerados.

  • O Utilitarismo ClssicoComo veremos, h teorias consequencialistas que no so utilitaristas.

    Tais teorias so distintas da teoria utilitarista ou no que diz respeito ao objeto de maximizao ou na teoria da natureza do valor que figura em sua base (qualquer teoria anti-hedonista).

  • O Utilitarismo ClssicoPor exemplo, a teoria do valor e da racionalidade de Hobbes tambm pode ser considerada uma forma de consequencialismo. No claro, porm que ela seja uma teoria hedonista. Mas a diferena fundamental para o utilitarismo reside no fato de que, para Hobbes, pensar em consequncias e maximizao do bem-estar pensar em termos egostas ou da perspectiva individual.

    Para utilitaristas, ao contrrio, pensar em consequncias e maximizao de bem-estar pensar coletivamente, naquilo que melhor (mais prazeroso) para o todo.

  • O Utilitarismo ClssicoDiante de propostas como a de Hobbes, utilitaristas precisaro, portanto, ou fornecer uma outra caracterizao da natureza humana (possivelmente social e no-egosta) ou fornecer um argumento que mostre que temos razes para nos preocupar com o bem do outro e coletivo, mesmo que este bem no promova diretamente o bem individual.

  • O Utilitarismo ClssicoAspectos intuitivamente plausveis do utilitarismo:

    (1) Consequencialismo:

    Parece ser plausvel sustentar que um fator moral relevante seja considerar as consequncias de aes.

  • O Utilitarismo Clssico

    (2) Promoo da felicidade como fim humano:

    Para o utilitarista, a moralidade diz respeito promoo da felicidade (maior prazer e menor dor) para o maior nmero possvel de seres humanos.

    Isto parece, primeira vista, acomodar-se bem s nossas expectativas de que o discurso da moralidade no precise apelar a teorias metafsicas obscuras e torne a prtica da moralidade algo factvel da perspectiva humana.

    Parece fazer sentido, ao perguntar sobre como devemos viver e regrar nossa conduta, que a resposta faa referncia promoo de um fim tipicamente humano: a felicidade.

  • O Utilitarismo Clssico(3) Imparcialidade e igualdade:

    A moralidade deve considerar cada ser senciente como valendo como um e no mais do que um.

    As noes de imparcialidade e igualdade fazem parte da prpria formulao do utilitarismo. Uma vez que aquelas noes parecem ser constitutivas da prpria ideia de moralidade, a teoria utilitarista parece se acomodar naturalmente a esta. (Como vimos, uma das dificuldades do projeto Hobbesiano era torn-lo compatvel com certas convices intuitivas morais nossas.)

    Por outro lado, a teoria utilitarista parece precisar fornecer uma defesa daquelas noes de imparcialidade e igualdade.

  • O Utilitarismo Clssico(4) Anti-chauvinismo:

    [Do fr. chauvinisme.]: 1. Nacionalismo exagerado; 2. Procedimento ou atitude de algum que assume posio extremada, exacerbada.

    Sentido estendido chauvinismo: devoo tendenciosas a um grupo, atitude ou causa.

    Segundo utilitaristas, outros seres (no-humanos) podem possuir valor moral, na medida em que so passveis de prazer e dor.

  • O Utilitarismo ClssicoImparcialidade, igualdade e o princpio da utilidade marginal decrescente (diminishing marginal utility):

    Considere quanto o seu bem-estar seria aumentado se voc no tivesse nenhum par de meias e ganhasse um. Isto, primeira vista, faria uma enorme diferena em seu bem-estar j que voc sairia de um estado em que voc no tem como cobrir os ps para um estado em que voc tem como cobri-los.

    Se voc agora ganhar um segundo par de meias, isto provavelmente tambm far uma grande diferena em seu bem-estar (pois agora voc tem, por exemplo, um par para usar enquanto lava o outro). Este um aumento significativo no seu bem-estar. Mas, primeira vista, no um aumento to grande quanto aquele que voc teve quando ganhou o seu primeiro par de meias.

    Se voc ganhar agora o seu terceiro par de meias, voc tambm provavelmente ter um aumento significativo em seu bem-estar (j que agora voc poder, por exemplo, variar o uso dos pares de meia vontade). Ainda assim, este aumento no seu bem-estar no ser equiparvel ao aumento do primeiro e do segundo par de meias.

    E assim por diante.

  • O Utilitarismo ClssicoImparcialidade, igualdade e o princpio da utilidade marginal decrescente (diminishing marginal utility):

    Princpio da utilidade marginal decrescente =def agentes geralmente obtm uma menor soma de bem-estar (utilidade) proporcionalmente a cada incremento adicional de um bem que adquirem.

  • O Utilitarismo ClssicoImparcialidade, igualdade e o princpio da utilidade marginal decrescente (diminishing marginal utility):

    Considere agora o seguinte cenrio: voc vive em uma sociedade de dez pessoas e h vinte pares de meias. Como voc faria a distribuio das meias?

    Daria os vinte pares para uma pessoa e deixaria nove sem nada?

    Distribuiria vinte pares entre cinco pessoas e deixaria cinco sem nada?

    Distribuiria os vinte pares entre as dez pessoas, cada uma ficando com dois pares?

    Utilitaristas defendem que, em condies normais, devemos optar pela ltima forma de distribuio, com base no princpio de que devemos considerar imparcialmente o bem-estar de cada um (isto , a princpio, no temos nenhuma razo para privilegiar um determinado indivduo ou grupo) e no princpio da utilidade marginal decrescente.

  • O Utilitarismo ClssicoImparcialidade, igualdade e o princpio da utilidade marginal decrescente (diminishing marginal utility):

    Porm, o ideal igualitarista no precisa necessariamente fazer parte do utilitarismo.

    Considere os dois seguintes cenrios:

  • O Utilitarismo ClssicoImparcialidade, igualdade e o princpio da utilidade marginal decrescente (diminishing marginal utility):

    Suponha que eu viva em uma sociedade (de dez indivduos) em que cada um produz dois pares de meias. A distribuio da produo igualitria, segundo os princpios utilitaristas. Portanto, cada um ganha dois pares de meias. O problema com um tal cenrio igualitarista que ele pode diminuir o incentivo para contribuir com o sistema. Um indivduo pode preferir se divertir em vez de trabalhar (na produo das meias). Neste caso, teramos 18 pares de meias para serem distribudos entre 10 indivduos. Isto significa uma reduo no bem-estar geral, mas um provvel aumento no bem-estar daquele indivduo (j que ele integrante da partilha do produto finalou seja, beneficia-se do sistemaembora no contribua com a sua produo).

    Portanto, poderia ser justificvel em um tal caso, de acordo com os princpios do utilitarismo, a criao de certos incentivos que produziriam cenrios de desigualdade, mas maximizassem o bem-estar geral.

  • O Utilitarismo ClssicoImparcialidade, igualdade e o princpio da utilidade marginal decrescente (diminishing marginal utility):

    (2) Considere uma sociedade dividida em dois grupos, A (composto de 10 pessoas) e B (composto de 100 pessoas). Ao considerar a ao correta em uma dada situao, o utilitarista se depara com dois seguintes cenrios possveis, em que o grupo B adquire mais bem-estar do que o grupo A:

  • O Utilitarismo ClssicoTabela 1

    Unidade de bem-estar por pessoaUnidades de bem-estar por grupoTotal de bem-estar (agregado) para os 2 gruposGrupo A(10 pessoas)11010 +Grupo B (100 pessoas)101.0001.000 =1.010

  • O Utilitarismo ClssicoTabela 2

    Unidade de bem-estar por pessoaUnidades de bem-estar por grupoTotal de bem-estar (agregado) para os 2 gruposGrupo A(10 pessoas)88080 +Grupo B (100 pessoas)9900900 =980

  • O Utilitarismo ClssicoImparcialidade, igualdade e o princpio da utilidade marginal decrescente (diminishing marginal utility):

    Qual cenrio deveria ser preferido pelo utilitarista?

    Se ele calcular bem-estar em termos de valor agregado total, o primeiro cenrio (tabela 1) produz mais bem-estar do que o segundo (tabela 2), ainda que no segundo a distribuio de bem-estar seja mais igualitria.

  • O Utilitarismo ClssicoTabela 3

    Valor de uma possvel consequn-ciaProbabilidade de esta possvel consequncia ocorrerValor esperado desta possvel consequnciaValor esperado da aoAo A100.410 x 0.4 = 44 + 1.2 = 5.2 Ao A20.62 x 0.6 = 1.2Ao B40.84 x 0.8 = 3.23.2 + 1.8 = 5.0 Ao B90.29 x 0.2 = 1.8

  • O Utilitarismo ClssicoAspectos intuitivamente implausveis do utilitarismo:

    Quantificao do prazer:

    Para muitos, a prpria ideia de quantificao do prazer absurda. Se a teoria utilitarista depende de um clculo matemtico do prazer, ento a teoria precisa explicar como isto possvel.

    Utilitaristas geralmente respondem argumentando que a matematizao da natureza um mtodo ou procedimento cientfico em curso desde pelo menos a revoluo cientfica